A guerra, o Brasil, o Apedeuta e eu
“Aí, hein, Reinaldo!? Você e aquele que chama de ‘Apedeuta’ estão juntos no caso da Líbia!” Estamos? Algo mais nos une além do… “Curintchia“??? Ainda que fosse verdade (não é! ), e daí? Não veria o menor problema. Eu não me obrigo a pensar sempre o contrário do que pensa Lula. Se assim fosse, eu […]
“Aí, hein, Reinaldo!? Você e aquele que chama de ‘Apedeuta’ estão juntos no caso da Líbia!”
Estamos? Algo mais nos une além do… “Curintchia“??? Ainda que fosse verdade (não é! ), e daí? Não veria o menor problema. Eu não me obrigo a pensar sempre o contrário do que pensa Lula. Se assim fosse, eu seria uma espécie de seu funcionário moral, entenderam? Veria antes o que ele pensa para dizer o oposto depois. Se o Apedeuta admitir que a Lei da Gravidade existe, não poderia contestá-lo.
O Brasil se absteve na votação do Conselho de Segurança da ONU que aprovou a resolução que permitiu a intervenção na Líbia e pediu ontem o cessar-fogo, em nome da proteção aos civis — afinal, esse é o objetivo da ação. O Itamaraty acertou nas duas vezes. Aliás, dados os termos do texto votado, se o Brasil o tivesse rejeitado, estaria certo ainda assim. Mas preferiu não se isolar. O voto contrário, sem poder de veto, seria inócuo e exporia o país a um desgaste desnecessário. POR QUE DIGO ISSO? Mais uma vez: não cabe à ONU votar uma resolução para desempatar ou inverter o resultado de uma guerra civil. Nunca se viu coisa assim!
Lula foi homenageado ontem pela Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, no Clube Monte Líbano, e fez depois um pronunciamento — acho que gratuito. Afirmou: “Sou solidário à posição do Brasil que se absteve na ONU contra a invasão. Essas invasões só acontecem porque as Nações Unidas estão enfraquecidas” . Tá! “Abster-se contra”??? Esse Lula… E avançou: “Se tivéssemos uma representação do século 21, em vez de mandar avião para bombardear, a ONU teria mandado seu secretário-geral para negociar”. Disse também que o povo palestino “era muito mais vítima do que terrorista” e acusou preconceito contra os muçulmanos nas ações americanas contra o terror.
Então! Viram como a minha “união” com Lula dura pouco? Quem disse que eu acho que o diálogo sempre resolve? Às vezes, tem de ser bomba e porrada mesmo! Eu critico a ação na Líbia, na forma como se dá, porque acho que a ONU não tem de autorizar operações para decidir, entre dois grupos armados, quem deve vencer uma guerra civil. Eu critico a ação porque aquela resolução é uma estupidez, que permite qualquer coisa. Eu critico a ação porque ela não explicita o seu real objetivo: derrubar Kadafi.
Ocorre que Lula não está falando da Líbia, mas do Irã. Ele foi lá negociar com Ahmadinejad e foi engambelado, enganado, feito de bobo. Eu não me oponho a guerras por uma questão de princípio. Isso é coisa de gente do miolo mole. Acho que uma figura como Hitler pode nos lembrar que o humanismo requer, às vezes, sangue, suor e lágrimas. A depender de como se comporte o Irã na questão nuclear, por exemplo, um confronto armado — e, naquele caso, sim, trata-se de coisa para gente grande! — será inevitável. Dolorosamente inevitável, mas, ainda assim, preferível à alternativa.
Sem citar Kadafi
Huuummm… A assessoria de Lula pediu previamente à organização do evento que não se fizessem referências diretas a Muamar Kadafi. É mesmo, é? Em 2009, ele chamou o tirano de “irmão” e “líder”. Isso tudo é amizade?





