A FILA PARA A CAMISA-DE-FORÇA
A fila para o uso de camisa-de-força, diga-se, está crescendo. As barbaridades vão sendo ditas, a imprensa vai registrando, e a sucessão de absurdos acaba passando por normalidade. No Estadão desta segunda, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirma que é preciso mudar o status da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, […]
A fila para o uso de camisa-de-força, diga-se, está crescendo. As barbaridades vão sendo ditas, a imprensa vai registrando, e a sucessão de absurdos acaba passando por normalidade. No Estadão desta segunda, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirma que é preciso mudar o status da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, a Minustah, nome pomposo para as tropas de intervenção da ONU lideradas pelo Brasil — um das muitas bobagens decididas pelo Itamaraty de Celso Amorim.
Segundo Jobim, não cabe mais às tropas apenas garantir a segurança; é preciso também “pacificar economicamente o país”. E isso significa, na sua linguagem, dar ênfase à “reconstrução, à educação e a criação de empregos”. Uau! Então a Minustah passará a ser o governo de fato do Haiti, experiência certamente inédita na ONU. Reitero minha proposta: mandemos para lá Lula e todo o seu ministério. As Nações Unidas já intervieram em muitos lugares, mas nunca se propuseram a assumir as funções que cabem a governantes. O que isso significa na prática? Ninguém sabe.
O Brasil está brincando com o perigo e se dispõe a se meter numa aventura que pode ser um saco sem fundo e sem prazo. Tudo em razão dos delírios de onipotência de um presidente e sua diplomacia de aloprados. Agora é Jobim que decide dar a sua inestimável colaboração ao delírio. É claro que eu acho que a ONU tem de se ocupar, também ela, da reconstrução do Haiti. Mas isso não se faz com soldados.
Em tempo: o Brasil vai propor a tal mudança de status da Minustah ao Conselho de Segurança, que deve topar a parada e dar o maior incentivo. Cria-se a impressão de que algo de efetivo está sendo feito e se entrega o hospício à administração dos loucos oferecidos…







