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A farsa

Por Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo. Volto depois:A oposição fez duras críticas à decisão da Polícia Federal de investigar apenas o vazamento dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher Ruth Cardoso, e não o responsável pela elaboração do documento na Casa Civil. O foco da investigação atende às expectativas […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h40 - Publicado em 7 abr 2008, 16h06
Por Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo. Volto depois:
A oposição fez duras críticas à decisão da Polícia Federal de investigar apenas o vazamento dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher Ruth Cardoso, e não o responsável pela elaboração do documento na Casa Civil. O foco da investigação atende às expectativas da ministra-chefe, Dilma Rousseff.
O líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (AM), afirmou nesta segunda-feira, 7, que a decisão é uma “farsa”, e que a opinião pública precisa saber quem fez o dossiê. “O governo está preocupado em saber quem viu o assassinato e não quem assassinou”, afirmou o líder tucano. “O que é fato é fato, queremos investigar os cartões presidenciais e, inclusive, até quem vazou, mas sobretudo quem fez o dossiê. “Investigar apenas o vazamento não satisfaz a nenhum analista de bom senso”, completou.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), acusou Dilma de estar usando a PF para tentar esconder o fato principal. “Vai-se atrás de tentar desvirtuar o fato relevante, que é o crime que ela (Dilma) cometeu”, afirmou. Maia considerou ruim verificar que a PF vai gastar tempo para investigar quem vazou o suposto dossiê “com tantos problemas e questões no país para se dedicar”.
De acordo com Maia, “a situação da ministra continua insustentável e, assim como Palocci (o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci), ela vai acabar tendo de deixar o governo”. O presidente do DEM assinalou que, com a investigação da PF, está se usando órgãos do Estado para tentar proteger a elaboração de um dossiê feito para intimidar a Oposição.
O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto, afirmou que a decisão da PF significa o uso da máquina pública para a atender a fins políticos do PT. “É um absurdo e uma falta de bom senso pensar que o vazamento é mais importante do que a elaboração do dossiê”, afirmou.
ACM Neto disse que em primeiro lugar deveria ser investigado quem produziu o dossiê. “A Polícia Federal pode até investigar o vazamento, desde que isso aconteça depois de investigar a elaboração do dossiê, que é onde houve crime. O crime que está caracterizado foi na elaboração do dossiê”, afirmou ACM Neto. “Isso mostra que o governo não tem escrúpulos, nem limite, na utilização do poder do Estado. É mais uma tentativa de intimidar a oposição”, afirmou.

InvestigaçãoEm nota divulgada nesta segunda-feira, o ministro da Justiça, Tarso Genro, já havia transferido à PF a decisão de abrir ou não inquérito para investigar a “possibilidade de crime” na violação de sigilo do “banco de dados” da Casa Civil sobre FHC. Tarso também não menciona o “banco de dados” que o governo admite ter feito. Diz apenas que atende a pedido da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para que se verifique a “pertinência” de abertura do inquérito policial.A tendência é que os agentes federais entrem nas investigações, mas o comando da corporação não quer que o Planalto defina o campo de ação, o que daria ao trabalho a marca de uma “missão chapa-branca”. Uma fonte da PF avaliou que é “inevitável” uma investigação ampla. Segundo ele, é crime coletar dados sigilosos e é crime vazar esse tipo de informação.Na última sexta-feira, em coletiva, a ministra tratou a coleta dos dados como uma “invasão” nos computadores da Casa Civil e prefere tratar isso como um problema interno e a ser investigado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) – uma espécie de cartório certificador de registros de informática, que é ligado ao próprio ministério.

Comento
Farsa, sim. Como eu já havia escrito nesta madrugada. A menos que a PF se tome de brios — e isso sempre depende de que ala da instituição vai atuar — e decida investigar direito. Por ora, o que interessa é o sinal institucional emitido: o governo considera “crise” o vazamento, mas acha regular a feitura do dossiê. Mais ainda: uma ministra de estado, de vestido vermelho — a dama de ferro de vermelho —, afirmou que um jornal publicou uma versão adulterada dos arquivos da Casa Civil. Ninguém a levou a sério. Mas o governo deveria se sentir obrigado ao menos a fingir que acredita na própria mentira. E, nesse caso, teria de pôr a PF para investigar.

A tramoiazinha vulgar já estava arranjada com Tarso Genro, o ministro da Justiça com as próprias mãos…, quando, teorizando sobre o nada, afirmou que vazamento é “crime”, mas “dossiê é conceito”, e que a PF investiga crime, mas não conceito. Será que se dava conta — é claro que sim! — que, com duas ou três palavras, já se comportava como investigador, advogado de defesa e juiz? Fazer o quê? Quando digo que são incuráveis, acham que exagero. São, sim. Eles não entendem o estado de direito.

Um ministro da Justiça, chefe funcional da polícia do estado — e é isso o que é a PF —, não se intimida em evidenciar que vai subordiná-la a uma tese (aí, de fato, é só “conceito”) do governo de turno. E sua colega da Casa Civil, mal disfarçando o desconforto, expõe uma ridícula teoria conspiratória, anunciando o que seria um crime grave contra a segurança do estado, mas que ela prefere investigar ali, no regaço da sua própria pasta, numa procedimento meramente administrativo-burocrático.

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Fazem bem as oposições em botar a boca no trombone. Não devem mesmo ter ilusões sobre a apuração, por mais que a PF decida ser independente. Da forma como as coisas estão arranjadas, ou se vai investigar para não chegar a lugar nenhum, ou se vai conferir verossimilhança à farsa de que, afinal, tudo não passou de uma trama das próprias oposições.

A coisa é bem mais grave do que parece.

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