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Reinaldo Azevedo

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A BRASILEIRA DA FROTA

Vocês já sabem que a cineasta brasileira Yara Lee estava a bordo de um dos barcos da tal frota liderada por aquela entidade islâmica turca, suspeita de ligações com terroristas. Espero, mesmo, que esteja tudo bem com ela, embora Yara certamente não ignorasse os riscos implícitos em seu “ato heróico”. Ontem, ela postou mensagem no […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 15h10 - Publicado em 31 Maio 2010, 16h00

Vocês já sabem que a cineasta brasileira Yara Lee estava a bordo de um dos barcos da tal frota liderada por aquela entidade islâmica turca, suspeita de ligações com terroristas. Espero, mesmo, que esteja tudo bem com ela, embora Yara certamente não ignorasse os riscos implícitos em seu “ato heróico”.

Ontem, ela postou mensagem no Facebook anunciando que o barco em que estava havia sido cercado pela Marinha de Israel, o que evidencia que houve conversa antes do ataque. Como ela terá sido?

Em carta escrita antes do embarque, a cineasta fazia suas reflexões sobre política externa:
“Normalmente eu consideraria uma missão de boa-vontade como esta completamente inócua. Mas agora estamos diante de uma crise que afeta os cidadãos palestinos criada pela política internacional. É resultado da atitude de Israel de cercar Gaza em pleno desafio à lei internacional. Embora o presidente Lula tenha tomado algumas medidas para promover a paz no Oriente Médio, mais ação civil é necessária para sensibilizar as pessoas sobre o grave abuso de direitos humanos em Gaza”.
(…)
Eu me envolvo porque creio que ações resolutamente não violentas, que chamam atenção ao bloqueio, são indispensáveis esclarecer o público sobre o que está de fato ocorrendo. Simplesmente não há justificativa para impedir que cargas de ajuda humanitária alcancem um povo em crise”.

Sempre tenho receio do cinema participativo. Em busca de ações não-violentas, Yara Lee decidiu integrar a frota liderada pelo não-violento Bülent Yildirim…

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Lamento, reitero, a tragédia. Mas alerto para uma falha lógica essencial nessas coisas: ou o governo de Israel permite que um bloqueio militar seja furado por uma provocação travestida de ação humanitária — e, pois, torna inverossímil a tese que mobilizou os militantes — ou não permite, conferindo verossimilhança à pregação dos “humanistas”. Curiosa situação em que só a tragédia confere a esses heróis a grandeza necessária.

Tomara que Yara Lee esteja em segurança. A sua carta, como se nota, tem potencial para fazer dela uma espécie de mártir do lulismo global… Que esteja bem, não só para felicidade daqueles que a amam, mas também para que tenha tempo de saber o tamanho do seu equívoco.

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