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PF indicia Bolsonaro e Eduardo por obstrução de Justiça

Relatório final da investigação apresenta novas mensagens trocadas pelo ex-presidente com o filho dele

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 ago 2025, 19h15 • Atualizado em 20 ago 2025, 19h53
  • A Polícia Federal indiciou, nesta quarta, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o filho dele Eduardo Bolsonaro por tentativa de obstrução de Justiça na ação da trama golpista. No relatório de 170 páginas, os investigadores apresentam provas de que o ex-presidente e o filho dele cometeram crimes como coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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    Os investigadores citam o repasse de 2 milhões de reais feito por Jair Bolsonaro para financiar a permanência do filho nos Estados Unidos, onde busca apoio do governo de Donald Trump para pressionar o Judiciário brasileiro.

    “Ainda em depoimento, o ex-presidente admitiu que os valores repassados a Eduardo Bolsonaro não são originariamente fruto de proventos auferidos diretamente por meio de trabalho ou qualquer atividade econômica por si desempenhada, mas de campanhas de arrecadação de doações feitas por apoiadores via Pix. Neste ponto, verifica-se que as reiteradas ações de arrecadação e financiamento de valores por meio de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em campanhas de doações de PIX vem se materializando em instrumento de financiamento e suporte de atividades ilícitas com a finalidade de coagir autoridades públicas”, diz a PF.

    O relatório sustenta que a ação criminosa de Bolsonaro e do filho tinha apoio de “terceiros” e cita Silas Malafaia, alvo de buscas e de medidas restritivas impostas por Alexandre de Moraes, nesta quarta.

    “Ademais, foi possível identificar que os investigados Jair e Eduardo Bolsonaro contam com o auxílio material de terceiros –que, atuando em unidade de desígnios – agem de forma direta para consecução da finalidade criminosa”, diz o relatório.

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    “A análise do material probatório arrecadado identificou que o indivíduo Silas Malafaia, conhecido líder religioso, vem atuando de forma livre e consciente, em liame subjetivo com os demais investigados, na definição de estratégias de coação e difusão de narrativas inverídicas, bem como no direcionamento de ações coordenadas que, em última instância, visam coagir os membros da cúpula do Poder Judiciário, de modo a impedir que eventuais ações jurisdicionais proferidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal possam contrapor os interesses ilícitos do grupo criminoso”, diz a PF.

    A PF diz ter encontrado provas que “corroboram a hipótese criminal de um conjunto orquestrado de ações praticadas pelo grupo investigado, voltadas a coagir membros do Poder Judiciário e, mais recentemente, do Poder Legislativo (Câmara e Senado), de modo a tentar subjugar os respectivos Chefes de Poderes aos anseios do grupo criminoso, com a finalidade de obtenção de vantagem indevida”.

    Para a PF, essa vantagem foi revelada pelo próprio Eduardo Bolsonaro no dia do anúncio das sanções dos Estados Unidos contra o Brasil: ‘‘anista ampla, geral e irrestrita, seguindo uma nova legislação que garanta a liberdade de expressão — especialmente online – e a responsabilização dos agentes públicos que abusaram do poder’’, diz Eduardo na fala registrada pela PF.

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