Odebrecht foi obrigada a ajudar empresa que dava mesada a Cabral
Executivo também vai contar em delação como construtoras fraudaram licitações no Rio e apresentaram propostas idênticas para todos ganharem
O diretor da Odebrecht Leandro Andrade Azevedo, um dos delatores da empresa, conta que o braço-direito de Sérgio Cabral agiu explicitamente para dar uma forcinha à Carioca Engenharia, aquela que pagava propina em forma de mesada ao ex-governador.
O episódio, detalhado na prévia da delação do executivo, é de 2013 e termina com a fraude de duas licitações do governo do estado, segundo ele. Uma delas constava na lista de compromissos feitos para a Olimpíada do Rio-2016.
Azevedo diz que a Odebrecht estava monitorando a concorrência de uma obra que tinha por objetivo dar fim às cheias nos canais dos rios Pomba e Muriaé, que cortam o Norte e o Noroeste fluminense.
Na ocasião, ele foi chamado para uma conversinha com Antonio da Hora, atual secretário de Meio Ambiente de Luiz Fernando Pezão.
De acordo com Azevedo, Antonio da Hora, à época subsecretário, falou sobre a necessidade de a Odebrecht se associar à Carioca Engenharia para concorrer à empreitada.
Hora falava em nome de Wilson Carlos, operador e ex-secretário de Cabral, preso junto com o chefe no mês passado.
“Na sequência, agendei uma reunião com Wilson Carlos[…] (Ele) reiterou a exigência de participação da Carioca, destacando que seria muito importante a sua participação no consórcio, com o percentual de aproximadamente 30%, porque com isso saldaria uma dívida que o governo tinha com Ricardo Pernambuco Junior (sócio da Carioca)”.
A cúpula do Odebrecht acatou a ordem e incluiu a Carioca no consórcio, com a participação determinada pelo homem de confiança de Cabral. O acerto, porém, não se limitou às intervenções nos canais dos rios Pomba e Muriaé.
Azevedo relatou que a negociata comprometeu outra licitação: a de despoluição do Complexo Lagunar da Barra da Tijuca. Trata-se de uma das melhorias prometidas para as Olimpíadas de 2016.
O esquema foi desenhado em uma dobradinha, no melhor estilo do cartel que assaltou a Petrobras.
Diz Azevedo que a Odebrecht faria uma proposta “fake” na licitação do projeto de despoluição do Complexo Lagunar no Rio. O lance, mais baixo, serviria apenas dar ares de legalidade à vitória de um consórcio formado por Queiroz Galvão, OAS e Andrade Gutierrez.
Em contrapartida, o inverso aconteceria na disputa pelas obras do Norte Fluminense.
“Tive conhecimento, posteriormente, de que o consorcio formado pela Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS procurou Marcos Saliveros (da Odebrecht) e Rodolfo Mantuano (Carioca), pedindo cobertura para a obra da Lagoa da Barra e, nessa oportunidade, foi solicitado reciprocidade para as obras do Norte e Noroeste Fluminense”.
O combinado só saiu caro para os moribundos cofres do estado e seus contribuintes.
De acordo com Azevedo, Odebrecht e Carioca arremataram o que queriam por exatos R$ 597.736.148,06, um pouco abaixo da proposta de mentirinha da Queiroz Galvão, de R$ 600.736.148,06.
Pasme, segundo Azevedo, os valores foram idênticos aos apresentados na concorrência do Complexo Lagunar: Queiroz Galvão, OAS e Andrade Gutierrez levaram por R$ 597.736.148,06, e a Odebrecht ofereceu R$ 600.736.148,06.







