O tradutor de espanhol do presidente é questão de segurança
Itamaraty justifica contratação como serviço de 'segurança pública' e esclarece: 'Escolha feita diretamente pelo Gabinete da Presidência'
Com novos e velhos “inimigos esquerdistas” na vizinhança, Jair Bolsonaro decidiu escolher ele próprio seu tradutor de espanhol para o acompanhar em conversas no idioma dos vizinhos Alberto Fernández (Argentina), Luis Arce (Bolívia) e Nicolás Maduro (Venezuela).
Um tradutor de confiança, como se sabe, é crucial para evitar espionagem e vazamentos de conversas sigilosas. O contrato pautado na “segurança pública” foi fechado com o tradutor Miguel Angel Reyes, escolhido a dedo pela área de segurança do governo, leia-se Gabinete de Segurança Institucional.
O contrato tem um custo de 365.000 reais e prevê “interpretação consecutiva, simultânea e sussurrada”, ou seja, ao pé do ouvido.
No extrato de inexigibilidade de licitação, que não traz o prazo do contrato, o Itamaraty justifica a contratação por ser um serviço de “segurança pública” e esclarece: “Escolha feita diretamente pelo Gabinete da Presidência”.
Segurança, aliás, tornou-se assunto prioritário no Ministério das Relações Exteriores. O ministro Ernesto Araújo autorizou a contratação da empresa Kryptus Segurança da Informação, também por dispensa de licitação, no valor de 5,1 milhões de reais, pelo prazo de um ano, para prestar “serviços especializados em segurança da informação”.







