Moraes manda investigar fraude envolvendo anúncio do tarifaço de Trump
Nova investigação mira o vazamento de informações privilegiadas do governo dos EUA 'insider trading' sobre sanções ao Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou, nesta segunda, a abertura de um inquérito para investigar uma possível manipulação do mercado financeiro a partir do uso de informação privilegiada envolvendo o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil.
No despacho, Moraes cita pedido da AGU sobre um volume atípico de compra e venda de dólares no dia 9 de julho, quando Trump anunciou o tarifaço.
A AGU pediu que a PGR recebesse a notícia de fato (procedimento para iniciar investigação) do caso, que envolve “compra e venda de dólares no dia do anúncio do tarifaço de Trump ao Brasil”.
“As transações de câmbio ocorreram em volume significativo e horas antes do anúncio oficial das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, o que sugere possível utilização de informações privilegiadas (insider trading) por pessoas físicas ou jurídicas, supostamente com acesso prévio e indevido a decisões ou dados econômicos de alto impacto”, diz Moraes no despacho.
A investigação vai correr no mesmo inquérito que mira Eduardo Bolsonaro e suas ações nos Estados Unidos para intimidar o STF diante do avanço da ação da trama golpista na Corte. O pedido da AGU já falava nessa conexão.
“À luz dos fatos noticiados, podemos inferir que eles se inserem em contexto no qual os fatos já em apuração neste inquérito estão além dos ilícitos penais já indicados pela Procuradoria-Geral da República, relacionados à obstrução da Justiça, mas também com possíveis ganhos financeiros ilícitos, mediante os mesmos fatos que buscaram impor embaraço à aplicação da lei penal”, diz a AGU, sugerindo que a fraude tenha ligação com a atuação de Eduardo nos EUA.





