Lula diz que não quer amigo na PGR
O ex-presidente Lula evitou se comprometer em escolher o primeiro da lista tríplice para que "eles fiquem com uma pulguinha atrás da orelha"
Questionado na entrevista ao Jornal Nacional por que tem evitado se comprometer em escolher o primeiro colocado na lista tríplice para comandar a PGR, como fez durante seus governos, o ex-presidente Lula disse querer que eles, os integrantes do Ministério Público Federal, “fiquem com uma pulguinha atrás da orelha”.
“Eu não quero definir agora o que é que eu vou fazer. Primeiro eu preciso ganhar as eleições. Esse negócio de a gente ficar prometendo fazer as coisas antes da gente ganhar, a gente comete um erro”, declarou.
O petista então disse que respeita muito o Ministério Público e comentou que uma das suas queixas com a Lava-Jato foi que a força-tarefa quase jogaram o nome da instituição “na lama, porque houve muitos equívocos e muitas aberrações”.
“O Ministério Público é uma instituição séria, que eu sempre valorizei. Da mesma forma, a Polícia Federal”, disse Lula.
Indagado novamente sobre o respeito à lista tríplice, ignorada pelo presidente Jair Bolsonaro, que escolheu duas vezes o atual procurador-geral da República, Augusto Aras, o ex-presidente respondeu que não quer procurador “leal” a ele.
“O procurador tem que ser leal ao povo brasileiro. Ele tem que ser leal à instituição. Agora, pode ficar certa que, se eu ganhar as eleições, antes da posse, eu vou ter várias reuniões com o Ministério Público para discutir os critérios, que eu acho que é importante pra eles e para o Brasil”, afirmou.
Ele lembrou que o primeiro diretor-geral da PF no seu primeiro mandato foi Paulo Lacerda, que não era seu amigo.
“Ou seja, eu não quero amigo, eu quero pessoas sérias, responsáveis, que falem em nome da instituição, porque as instituições que garantem o funcionamento da democracia têm que ser fortes”, disse o petista, questionado mais uma vez por que manter o suspense sobre a decisão.
“Em minha defesa, eu tenho três indicações. Eu indiquei o procurador-geral que estava julgando o [ex-ministro Antonio] Palocci. E eu mantive ele. Porque eu não quero amigo, eu não quero amigo no Ministério Público, eu não quero amigo na Polícia Federal, eu não quero amigo no Itamaraty, eu não quero amigo em nenhuma instituição. Eu quero pessoas competentes, pessoas ilibadas, pessoas republicanas, e pessoas que pensem, sobretudo, no povo brasileiro”, respondeu.
Lula então disse que o presidente Jair Bolsonaro fez muitas interferências na PF e “troca qualquer diretor na hora que ele quer, basta que ele não goste”.
“E eu não fiz isso e não vou fazer. O delegado não tá lá pra fazer as coisas que eu quero”, declarou.







