Julgamento de Bolsonaro ‘encerra ciclos do atraso’ no país, diz Barroso
'Essa história de que quem perdeu tenta levar a bola para casa e mudar as regras do jogo é um passado que nós temos que enterrar', disse o chefe do STF
Presidente do STF, o ministro Luís Roberto Barroso disse, nesta segunda, que o julgamento da trama golpista deve encerrar o que ele chamou de “ciclos do atraso” no país.
“Nós agora temos, desde a redemocratização, 40 anos de estabilidade institucional. Se comprovar que houve a tentativa de golpe — o julgamento ainda vai ocorrer –, eu acho que é muito importante julgar. É um pouco como encerrar os ciclos do atraso no país”, disse Barroso.
Para o ministro, as possíveis condenações dos golpistas na Corte servirão de exemplo para a sociedade “ter a consciência de que a divergência, que é legítima e desejável em uma democracia, deve se manifestar dentro das regras do jogo”.
“Essa história de que quem perdeu tenta levar a bola para casa e mudar as regras do jogo é um passado que nós temos que enterrar”, disse Barroso.
O presidente do STF falou da “tensão” envolvida no julgamento, com pressões de bolsonaristas para que a Corte livre Bolsonaro e seus aliados da prisão. Para Barroso, o clima é natural ao tema que está em discussão, uma tentativa de golpe de Estado.
“Nós vivemos as tensões do julgamento do 8 de janeiro e as tensões em julgamento daquilo que o procurador-geral qualificou como sendo uma tentativa de golpe, que ainda vai ser julgado. Nenhum país julga invasão da sede dos três poderes ou possibilidade de se entender que houve uma tentativa de golpe de Estado do presidente, do seu grupo, sem algum tipo de tensão natural. O anormal seria que não houvesse tensão, mas uma tensão absorvida institucionalmente, de modo que eu acho que a vida democrática fluiu com naturalidade ao longo desse período”, disse Barroso.





