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Governo quer mudar regra de fabricação de explosivos; entidade vê riscos

Associação Brasileira de Produtos Controlados emitiu um alerta nesta quinta sobre uma consulta pública do Ministério da Defesa

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 dez 2021, 17h51
Governo quer mudar regra de fabricação de explosivos; entidade vê riscos Priorizar nos meus resultados Google

A Associação Brasileira de Produtos Controlados emitiu um alerta nesta quinta sobre uma consulta pública do Ministério da Defesa que termina nesta sexta e trata do exercício de atividades com explosivos e seus acessórios que contêm nitrato de amônio.

As modificações sugeridas pelo governo, segundo a entidade, permitem que o nitrato de amônio fertilizante possa ser utilizado na fabricação de explosivos e que o produto possa ser envasado em área aduaneira.

Atualmente, apenas o nitrato de amônio grau técnico é permitido para esta finalidade, e para uma empresa exercer essa atividade é necessário obter junto ao Exército um Certificado ou Título de Registro, conforme critérios estabelecidos em portarias.

“O processo é amplamente controlado e fiscalizado pelos órgãos responsáveis. O nitrato de amônio grau técnico, além de ser química e fisicamente diferente do nitrato de amônio a granel, deve utilizar embalagens homologadas e ser lacrado desde seu país de origem, o que garante a não contaminação do produto e que este possa ser rastreado evitando possíveis extravios ou roubos que podem ter uso ilícito”, diz a entidade.

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O novo texto, segundo a entidade, sugere que o nitrato de amônio a granel possa ser embalado na área aduaneira do porto de importação, em vez do envase do produto em seu país de origem. O Brasil recebe em média 1 milhão de toneladas de nitrato de amônio anualmente, sendo que 70% deste volume tem entrada pelo Porto de Santos, em São Paulo.

“A operação sugerida na mudança regulatória possibilitaria a contaminação com outras substâncias durante o armazenamento ou transporte do produto, podendo levar o produto químico a um potencial de explosividade, causando um incidente semelhante ao que aconteceu em 2020 no Líbano”, diz a entidade.

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“Hoje o Brasil segue as melhores práticas internacionais com a portaria 147 aprovada em 2019 e que hoje serve de exemplo a outros países em relação ao tema, a mudança proposta é um retrocesso nas conquistas de segurança já obtidas, e trará riscos de grande proporção para a sociedade e o meio ambiente”, conclui a associação.

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