CPMI do INSS vai aos poucos se tornando uma vergonha para o Parlamento
Aliados do presidente Lula atuam para impedir que a investigação chegue a envolvidos com ligações no atual governo petista
A Polícia Federal descobriu que uma quadrilha de sindicalistas desviou mais de 6,3 bilhões de reais das contas de mais de 5 milhões de aposentados do INSS entre 2019 e 2024.
A roubalheira começou antes do governo de Jair Bolsonaro, é verdade, mas foi delimitada pela investigação a partir da chegada do capitão ao Planalto. No governo passado, os desvios foram ganhando corpo e se enraizando na estrutura da máquina federal.
No atual governo, ganharam escala industrial, com bilhões sendo saqueados anualmente das contas de idosos, deficientes e outros beneficiários da Previdência.
A natureza dos crimes cometidos pelos corruptos — um roubo contra quem já pouco tem para sobreviver — deveria indignar a classe política, mas não é o que acontece.
Aliados de Lula no Congresso atuam para blindar investigados e impedir o depoimento de personagens que poderiam esclarecer como foi possível que bilhões fossem roubados de aposentados em pleno governo da “reconstrução”.
Nesta quinta, a base de Lula impediu a convocação do irmão do presidente da República, que é vice-presidente de um sindicato que faturou milhões a partir de desvios nas contas de aposentados. Na semana passada, a Polícia Federal fez uma batida na sede do sindicato e encontrou dinheiro vivo, carros de luxo com outros alvos e abriu muitas frentes de investigação.
Tudo que se esperava dos deputados e senadores da CPMI era empenho para esclarecer o caso, mas não foi o que aconteceu. A convocação de Frei Chico foi derrotada por 19 a 11.
Na semana passada, a CPMI também rejeitou convocar Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que explicasse o motivo de ter recebido 3 milhões de reais de investigados na roubalheira do INSS.
Antes disso, a base do governo também barrou a convocação de uma testemunha que sofreu ameaças de morte do Careca do INSS, principal personagem do escândalo. Edson Claro Medeiros Júnior é ex-funcionário do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes.
Qualquer investigação minimamente séria, que de fato defenda os aposentados, iria ouvir os depoimentos desses personagens. A CPMI do INSS, no entanto, está dominada por parlamentares com outros interesses. A comissão foi aberta contra a vontade do Palácio do Planalto, que agora controla a maioria do colegiado e tem feito de tudo para que o caso termine em uma boa e grande… pizza.





