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Contexto global é mais complexo hoje que na crise de 2008, diz Lula na OIT

"Nunca a injustiça social foi tão crucial para a humanidade", declarou o presidente em discurso na Conferência Internacional do Trabalho, na Suíça

Por Gustavo Maia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jun 2024, 13h19 • Atualizado em 13 jun 2024, 16h05
  • O presidente Lula discursou há pouco na sessão de encerramento do Fórum Inaugural da Coalizão Global para a Justiça Social, no âmbito da 112ª Conferência Internacional do Trabalho, da OIT, em Genebra, na Suíça, e apontou um cenário mais desafiador do que o da crise econômica global de 2008.

    “Retorno à OIT com esperança renovada na atuação conjunta de governos, trabalhadores e empregadores para superar tempos adversos. Não foram poucas as vezes em que o mundo voltou seus olhos para a OIT em busca de soluções ao longo dos seus 100 anos de história”, afirmou o brasileiro, no início do seu pronunciamento de quase 30 minutos.

    Na sequência, ele lembrou ter participado de um encontro da organização para discutir a crise do emprego causada pelo colapso financeiro de 2008 e disse que, “desta vez, vivemos um contexto global muito mais complexo”.

    “Nossas sociedades ainda se recuperam dos efeitos da pandemia da covid-19 em ritmos muito desiguais. Novas tensões geopolíticas se somam aos conflitos existentes em diferentes partes do planeta. As transições energética e digital já impacientam trabalhadores de todos os países. Os efeitos da mudança climática têm deteriorado a qualidade de vida ao redor do mundo, 2,4 bilhões de trabalhadores são afetados diretamente pelo calor excessivo”, disse Lula.

    Para o presidente brasileiro, o papel da OIT e de seu arranjo tripartite é ainda mais relevante hoje do que quando foi criada: “Nunca a injustiça social foi tão crucial para a humanidade”, declarou. “Precisamos de uma nova globalização — uma globalização de face humana. A justiça social e a luta contra as desigualdades são prioridades da presidência do Brasil do G20 que se realizara em novembro próximo”, completou.

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    TAXAÇÃO DE SUPER-RICOS

    O presidente também defendeu a taxação de grandes fortunas em seu discurso, lamentou a concentração de renda e cutucou o bilionário Elon Musk. “O Brasil está impulsionando a proposta de taxação dos super-ricos nos debates do G20. Nunca antes o mundo teve tantos bilionários. Estamos falando de 3.000 pessoas que detêm quase 15 trilhões de dólares em patrimônio. Isso representa a soma dos PIBs do Japão, da Alemanha, da Índia e do Reino Unido”, disse o petista.

    “É mais do que se estima ser necessário para os países em desenvolvimento lidarem com a mudança climática. A concentração de renda é tão absurda que alguns indivíduos possuem seus próprios programas espaciais. Não precisamos buscar soluções em Marte. É a Terra que precisa do nosso cuidado” acrescentou, em alusão ao fato de Musk possuir uma empresa de exploração espacial, arrancando aplausos e risadas da plateia presente.

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