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Braga Netto tratou de vacinas indianas com embaixador em outubro de 2020

Informação consta em um telegrama reservado do Itamaraty sobre encontro entre o então ministro da Casa Civil e o diplomata Suresh Reddy

Por Gustavo Maia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 9 jul 2021, 20h01 - Publicado em 9 jul 2021, 19h36

Quando ainda era chefe da Casa Civil, o general Walter Braga Netto aproveitou uma reunião no Palácio do Planalto com o embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy, para falar que o Brasil ainda não havia recebido nenhuma proposta de venda de vacinas contra Covid-19 fabricadas no país asiático.

O encontro ocorreu no dia 13 de outubro do ano passado. As negociações para a aquisição da vacina indiana Covaxin começaram cinco semanas depois, em 20 de novembro.

A informação consta em um telegrama reservado do Itamaraty, enviado em 19 de outubro pelo Secretaria de Estado das Relações Exteriores à embaixada do Brasil em Nova Délhi.

O documento está em posse da CPI da Pandemia no Senado, que investiga o contrato para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin por 1,6 bilhão de reais, e chamou a atenção de senadores por conta do interesse de Braga Netto, hoje titular do Ministério da Defesa.

Trecho de telegrama reservado do Itamaraty, enviado em 19 de outubro pelo Secretaria de Estado das Relações Exteriores à embaixada do Brasil em Nova Delhi
Trecho de telegrama reservado do Itamaraty, enviado em 19 de outubro pelo Secretaria de Estado das Relações Exteriores à embaixada do Brasil em Nova Délhi (Ministério das Relações Exteriores/Reprodução)

A edição de VEJA desta semana revela que informantes da comissão revelaram que as pressões pela compra do imunizante vieram do Palácio do Planalto, e que a Casa Civil teria sido ponto de origem do suposto favorecimento por parte do governo à Precisa Medicamentos, empresa brasileira que intermediou o negócio junto ao laboratório indiano Bharat Biotech.

Nesta quarta-feira, por sinal, Braga Netto e os comandantes das Forças Armadas assinaram uma nota contra declarações do presidente da CPI, Omar Aziz, sobre o envolvimento de militares em casos de corrupção no governo.

A menção à fala sobre as vacinas aparece no item 4 do telegrama, após relatos sobre cooperação em defesa e possíveis exercícios militares conjuntos.

“Perguntado pelo ministro da casa Civil, o embaixador Reddy apresentou panorama da pandemia de COVID-19 na Índia. Disse que seu país deseja reforçar relações com o Brasil na área farmacêutica (em especial fornecimento de vacinas contra a COVID e medicamentos genéricos). Chamou atenção sobretudo para o diferencial indiano de preços nessa área”, relata o telegrama.

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“O ministro Braga Netto observou que o Brasil não recebera proposta formal de venda de vacinas contra COVID-19 fabricadas na Índia. O embaixador Suresh Reddy confirmou essa informação mas referiu-se à intenção da Índia de fornecer vacinas para outros países (em conformidade com discurso do PM [Primeiro-ministro] Modi na abertura da 75ª AGNU [Assembleia Geral das Nações Unidas]”, prossegue.

O tópico se encerra informando que, sobre venda de medicamentos (nesse caso, para o SUS), “o ministro-chefe da Casa Civil sugeriu contatos com o Ministério da Saúde, em coordenação com o Itamaraty”.

Em postagem no Facebook no dia do encontro, a Embaixada da Índia em Brasília publicou uma foto do ministro e do embaixador e disse que os dois tiveram uma “discussão muito produtiva em áreas de interesse mútuo”.

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