Bolsonaro usa caminhoneiros para criar narrativa sobre derrota
'É arriscado, mas ele quer mostrar que tem força nas ruas', disse ao Radar um interlocutor do presidente

Integrantes da campanha de Jair Bolsonaro avaliam que o presidente busca reduzir o estrago da derrota para Lula nas eleições, ao se manter em silêncio sobre o clamor dos caminhoneiros bolsonaristas por golpe militar. Bolsonaro cria, com o levante, a narrativa — coisa do universo delirante do bolsonarismo — de que sua derrota foi, de alguma forma, rejeitada pelas ruas, “pelo povo”, uma prova de que “o sistema o derrubou”.
‘É arriscado, mas ele quer mostrar que tem força nas ruas’, diz um interlocutor do presidente.
O presidente poderia ter feito um pronunciamento logo cedo — ou ainda na noite de domingo — reconhecendo a derrota, desejando boa sorte ao presidente eleito e pedindo que os manifestantes voltassem para casa. Ignorando os transtornos econômicos da paralisação das estradas para o país e para a economia, o presidente deixou a coisa correr.
Integrantes da área econômica do governo revelaram nesta segunda ao Radar a preocupação: a coisa pode sair do controle, se nada for feito para conter o levante golpista.
Não que Bolsonaro vá ficar no poder pelas mãos dos aloprados. Isso está muito longe de ser uma possibilidade. O problema, na avaliação dessas fontes, é justamente a ruptura nas diferentes cadeias de suprimentos do país que dependem dos caminhoneiros.