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Ressaca da ‘superquarta’ dos juros assola a bolsa antes de Lula ir à China

Ibovespa derrete 3% na semana e tem pior patamar em oito meses com manutenção dos juros; políticos e entidades criticam o Banco Central

Por Felipe Erlich Atualizado em 4 jun 2024, 11h11 - Publicado em 25 mar 2023, 10h19

VEJA Mercado | Fechamento da semana | 20/03 a 24/03

Tanto o Banco Central do Brasil quanto seu par americano tomaram algumas das decisões mais desafiadoras de sua história no último dia 22, que ficará marcado como uma importante ‘superquarta’ dos juros. Ambas as deliberações vieram em linha com a expectativa de mercado. No caso do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, optou-se por uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros do país, levando-os ao limite de 5% ao ano. Trata-se da nona alta consecutiva do ciclo contracionista – de aperto dos juros – promovido pelo banco, que já dura um ano. Entretanto, a sinalização foi bastante positiva para os mercados globais, que receberam o aumento inferior a 0,5 ponto como um sinal de abrandamento da política vigente. O caso foi diferente no Brasil, em que, apesar de também esperada, a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano pelo Banco Central veio acompanhada de um comunicado mais duro do que se esperava.

No pregão seguinte à decisão do BC, o índice Ibovespa performou pessimamente, derretendo 2,3% e ficando abaixo dos 100 mil pontos pelo resto da semana, em patamar que não era registrado desde julho de 2022. Ao longo de toda a semana, o principal índice do mercado financeiro nacional despencou mais de 3%, puxado principalmente pela ressaca dos juros. O dólar apresentou grande volatilidade, variando entre 5,22 reais e 5,34 reais na semana. Vale dizer que os números razoáveis do IPCA-15, indicador da inflação, divulgado na sexta, 24, trouxe algum alívio ao mercado. Os preços subiram 0,69% em março, menos que os 0,76% de fevereiro.

“O Comitê enfatiza que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”, diz o texto do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Com isso, o banco reforçou expressivamente seu foco em cumprir as metas de inflação estabelecidas, tarefa que – até o momento, sem grandes novidades – é mais que desafiadora. A atitude do BC vem após o adiamento da apresentação do novo arcabouço fiscal, desenhado pela equipe do ministro Fernando Haddad, da Fazenda. Contrariando a vontade de Haddad e do mercado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a proposta deve ser retomada depois de sua viagem à China, ou seja, ficará para o mês de abril. Em entrevista ao Radar Econômico, o ex-secretário da Fazenda do estado de São Paulo Felipe Salto destacou a importância de aprovar o arcabouço para reduzir os juros, mesmo que os números da inflação ainda sejam o principal fator de análise do Banco Central. “Sem desatar o nó fiscal, é difícil ter a segurança necessária para uma redução de juros que, aliás, já poderia ter começado”, diz.

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Com a  última deliberação do BC, que explicita sua independência em relação ao governo federal, a pressão política contra o órgão – que já se alastra há mais de mês – aumentou. Pouco após o Copom divulgar seu comunicado, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, questionou em uma rede social se Roberto Campos Neto, chefe do BC, compreende que tem um compromisso com o país. Haddad foi mais amigável, como de costume, e classificou a decisão do BC como muito preocupante. Rui Costa, ministro da Casa Civil, também se pronunciou, chamando o regulador de insensível. Críticas não ficaram restritas ao mundo político, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), entre outras, também se colocando contrárias aos juros.

Para ficar no radar dos investidores na próxima semana, a viagem do presidente Lula à China promete ser assunto do noticiário econômico. A comitiva do presidente com destino ao maior parceiro comercial do Brasil é composta por centenas de figuras de peso, especialmente do agronegócio – setor já muito criticado pelo petista. Inclui também nomes polêmicos, como os irmãos Batista, que já foram presos acusados de esquema de corrupção.

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