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A bronca dos bares e restaurantes com o iFood

"Criamos um monstro cheio de dinheiro para comprar exclusividade e dar cashback. Precisamos de uma intervenção do Cade", diz presidente da Abrasel

Por Felipe Mendes 7 jan 2022, 11h02 • Atualizado em 7 jan 2022, 18h23
  • O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, ainda não digeriu a saída da Uber Eats do país, anunciada nesta quinta-feira, dia 6. A empresa, embora com uma relevante fatia de mercado, encontrava dificuldades para brigar em pé de igualdade com o iFood, cuja participação de mercado, estima-se, seja de aproximadamente 70%. “Fomos pegos de surpresa. E foi uma surpresa muito ruim, porque, em dezembro, nós tivemos o fechamento do Delivery Center, que já foi horrível para o mercado, porque era uma esperança para o setor por atuar no conceito de open delivery.”

    A saída da Uber do mercado de entregas de comida coloca o iFood em posição de privilégio e como favorita a engolir as concorrentes restantes. Por isso, Solmucci clama por uma intervenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Em 2020, a entidade entregou, junto à Rappi, uma ação ao órgão antitruste contra o iFood por práticas anticompetitivas no mercado. O processo mira os contratos de exclusividade firmados pela empresa com milhares de restaurantes, o que impossibilitou o crescimento de concorrentes no país; e a prática de descontos altamente agressiva, que faz os restaurantes sacrificarem parte da margem de lucro com a operação de delivery. Como resposta, o Cade impossibilitou que o iFood firmasse novos acordos de exclusividade.

    “Nós vamos apertar o cerco no Cade para ver se conseguimos limitar um pouco o iFood, porque o negócio está feio. Nós temos basicamente um monopólio. Criamos um monstro cheio de dinheiro para comprar exclusividade e dar cashback”, afirma Solmucci. “O pior de tudo é que, no fim das contas, a estratégia de descontos que eles praticam só ferram com o dono do restaurante. Ora, se eles querem fazer promoção, eles têm de bancar esse custo. Como o iFood tem um poder de mercado cada vez maior, os donos de restaurantes acabam se submetendo. A situação é muito complicada. Nós precisamos de uma intervenção via Cade. Na hora em que só houver o iFood, esse custo vai acabar nas mãos do consumidor.”

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    ATUALIZAÇÃO – 18H15 – O iFood, por meio de sua assessoria de imprensa, enviou um comunicado ao Radar Econômico no qual aponta que “o setor de delivery segue em constante evolução com a entrada frequente de novos competidores e o surgimento de novos modelos de negócios. Essa competição intensa favorece restaurantes, entregadores e consumidores, e promove inovação para todo o ecossistema”. A plataforma também salientou que suas “políticas comerciais estão em estrita conformidade com a legislação concorrencial e que segue cooperando com as autoridades responsáveis”. Fora isso, o iFood diz estar aberto para ajudar o setor na implementação de um sistema aberto para os restaurantes, o open delivery defendido pela Abrasel.

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