O Flamengo sai vaiado de campo, com a torcida pedindo a cabeça do técnico. Cena comum no futebol nacional, exceto pela circunstância: o Mengão havia acabado de enfiar 8 a 0 no Madureira, classificando-se para as finais do Campeonato Carioca. Horas depois, o clube anunciou a demissão de Filipe Luís. Mesmo dentro de uma cultura em que treinadores são descartados frequentemente, bastando para isso uma pequena série de resultados ruins, o episódio ocorrido na noite de segunda, 2, no Maracanã, entra para a história. Chutar um técnico depois de uma goleada a favor do time é definitivamente uma inovação. Mais uma vez, temos o Brasil na vanguarda nesse campo.
Segundo consta, Filipe Luís já estava para cair antes do jogo contra o Madureira. Comandar o Flamengo em uma goleada não mudou o rumo das coisas, pois o futuro dele parecia estar decidido. Dizem que os dirigentes já não engoliam o técnico desde o final do ano, quando ocorreram conversas difíceis para a renovação do contrato do profissional. Teria contado pontos também o início de temporada ruim. Uma das derrotas mais comentadas foi contra o Corinthians, na decisão da Supercopa. O Flamengo não está numa fase brilhante, mas é verdade também que não passou por nenhum vexame até aqui capaz de provocar tamanha ira da torcida e da direção contra o treinador. “Detalhe” adicional, vale lembrar: o ano mal começou.
A soberba explica a queda do técnico em circunstância inédita. O jovem e promissor Filipe Luís começou a carreira de forma fulminante, enfileirando títulos. Em alta, começou a se portar nas entrevistas como se fosse a encarnação de Rinus Michels, o revolucionário técnico que comandou o histórico carrossel holandês na Copa de 1974, inaugurando o futebol moderno. O Flamengo, por sua vez, acredita que está vocacionado para ser o Real Madrid das Américas. A dura realidade: Filipe Luís tem muito ainda a aprender e o Mengão está tão perto do Real Madrid quanto o Madureira está do Barcelona.
Por falar em Europa, um famoso ditado de lá diz o seguinte: quanto maior a altura, maior a queda. Pode ser uma boa lição para todos os envolvidos no caso.





