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Por Trás dos Números

Por Renato Meirelles
Renato Meirelles é pai da Helena, acredita que a Terra é redonda, está à frente do Instituto Locomotiva e, neste espaço, interpreta os números muito além da planilha Excel
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Os deputados do Brasil

Felipe Nunes faz Pesquisa inédita que mapeia o que pensam os parlamentares. Resultados podem surpreender aqueles mais descrentes com a política

Por Renato Meirelles Atualizado em 13 Maio 2024, 22h49 - Publicado em 14 ago 2023, 16h11

Alvo de debates constantes entre cientistas políticos, comentaristas e curiosos, a representatividade do Congresso Brasileiro é um daqueles conceitos que caem facilmente no senso comum sobre como os políticos estão distantes do dia a dia da população. Uma pesquisa divulgada recentemente, porém, mostra que, sob muitos aspectos, os parlamentares que estão dentro do Congresso não são tão diferentes assim dos seus eleitores. Compreender esses números e romper com lugares-comuns da política é essencial para entender como funciona o mais democrático dos Poderes e como temas que estão na ordem do dia podem ser discutidos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Realizada pela Genial Investimentos em parceria com a consultoria de pesquisas Quaest, do professor Felipe Nunes, o levantamento ouviu 186 deputados de 21 partidos, sendo o primeiro a mapear o que pensam os deputados federais da atual Legislatura sobre o governo federal. Nunes tem despontado como um dos melhores pesquisadores da nova geração no Brasil e trouxe alguns achados que merecem atenção. Os dados mostram que a porcentagem dos que aprovam o governo é semelhante à da população em geral, que os parlamentares têm a mesma percepção que os brasileiros sobre quais são os principais problemas do país e que, em grande medida, a divisão ideológica da Câmara repete a da sociedade, ainda muito polarizada das últimas eleições.

Considerando somente as pesquisas de opinião pública da Quaest, quando o assunto é aprovação do governo federal, 35% dos deputados avaliam o governo positivamente, na população são 37%. A avaliação negativa na Câmara chega a 33%, enquanto que na população são 27%. Curiosamente, porém, os parlamentares são ligeiramente mais otimistas que os brasileiros quando o assunto é o futuro: 52% dos deputados acreditam que o país está na direção correta, contra 42% que acreditam que está na direção errada. Na população em geral as porcentagens chegam a 46% e 41%, respectivamente.

Já quando o assunto é a comparação com o governo Bolsonaro, o percentual de parlamentares que acreditam que a gestão atual é melhor que a anterior é ligeiramente mais baixo do que na população em geral. 43% dos deputados acreditam que o governo Lula está fazendo um trabalho melhor, porcentagem que chega a 46% na população em geral.  Parte da explicação para essa comparação pode estar no fato de que os parlamentares da atual legislatura não estão muito satisfeitos com a atenção que o governo federal tem dado a eles.

Segundo a pesquisa, para 41% dos deputados a relação do governo Lula com o Congresso é negativa, e somente 24% consideram essa relação positiva, com 32% considerando a relação regular. Além disso, 67% dos deputados consideram que o governo dá menos atenção do que deveria à relação com o Congresso. Confirmando os cenários que têm sido divulgados na imprensa, mesmo entre os políticos da base aliada a articulação política do governo Lula parece estar deixando a desejar. Outros achados da pesquisa, porém, são mais animadores para o governo federal e para a população que anda descrente com a política.

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Chama a atenção que mesmo entre os deputados de direita, 35%, ou mais que um terço, acreditam que as chances de o governo passar sua agenda no Congresso são altas. Deputados de centro (61%) e de esquerda (88%) em sua maioria acreditam que o governo conseguirá aprovar sua agenda prioritária.

Para a população, o mais interessante dos achados da pesquisa talvez seja o que mostra que, em grande medida, os deputados têm a mesma ordem de prioridade que o restante dos brasileiros quando questionados sobre os principais problemas do país. Os dois problemas mais graves elencados foram: economia (38% dos deputados e 30% da população em geral) e questões sociais (23% a 20%). Chamou a atenção o fato de a saúde ter sido considerada mais grave por somente 3% dos deputados, enquanto que para o restante da população 13% consideram o tema o problema mais grave do país. Na sequência, problemas como corrupção, violência e os desafios da educação aparecem na mesma ordem de prioridade entre parlamentares e as demais pessoas.

Certamente nosso sistema eleitoral não é perfeito e sempre teremos, como em outros países, exemplos de políticos com interesses que não coincidem com os da população, para dizer o mínimo. Ainda assim, é importante enxergar de forma objetiva o quanto nossos parlamentares são e até precisam ser, em alguma medida, parecidos com a população. Ter essa noção é o primeiro passo para os diferentes atores sociais, e mesmo outras autoridades, saberem como endereçar seus problemas para as casas legislativas que são, antes de tudo, um espaço do jogo democrático e que precisa sempre ser preservado.

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