Só hoje no Abril Day: assine 4 Revistas Impressas por R$ 32,90/mês!
Imagem Blog

Por Trás dos Números

Por Renato Meirelles Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Renato Meirelles é pai da Helena, acredita que a Terra é redonda, está à frente do Instituto Locomotiva e, neste espaço, interpreta os números muito além da planilha Excel

O problema oculto

Enquanto o País debate as bets, metade do mercado segue ilegal

Por Renato Meirelles Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 ago 2026, 17h12
O problema oculto Priorizar nos meus resultados Google

Culturalmente, o futebol tem, não é de hoje, presença de destaque no cotidiano e no imaginário de grande parte dos brasileiros. Foi nesse ambiente que as bets encontraram espaço para crescer: estão no intervalo dos jogos, nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e no celular. Para milhões de brasileiros, apostar passou a fazer parte de uma experiência ampliada desses eventos.

Com a regulamentação e o crescimento desse mercado, o debate sobre as bets também cresceu e se tornou presença garantida em quase todas as discussões e reuniões de que participo sobre o comportamento do consumidor brasileiro e o cenário da economia em nosso País. Mas, enquanto todos debatem o tamanho e os impactos desse novo mercado, ignora-se que quase metade dele está no subterrâneo, fora da visão do Estado e livre de qualquer regulação.

É o que descobrimos em uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva, em parceria com a LCA e a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que ouviu 2.291 apostadores de bets esportivas e cassinos online. Segundo a pesquisa, 53% dos apostadores no País haviam apostado em sites ilegais, identificados a partir da admissão de comportamentos de aposta proibidos, como uso de sites que não exigiram reconhecimento facial; utilização de plataformas com endereço diferente de .bet.br; plataformas que permitem depósitos por cartão de crédito; ou utilização de criptoativos. Considerando o share em valor das apostas, o estudo estima que entre 38% e 44% das apostas online sejam realizadas em plataformas clandestinas. Isso significa que quase metade desse mercado no País pode estar operando na ilegalidade, sem recolher impostos e sem aderir às exigências definidas pelos reguladores. Isso, obviamente, agrava enormemente os riscos aos apostadores e tem consequências econômicas graves para o País.

Há uma contradição nesse comportamento: 77% dos apostadores concordam que as bets ilegais são mais perigosas. Por quê? Em grande medida, essas pessoas são enganadas, clicam em anúncios na internet e nas redes sociais sem saber que estão apostando em sites ilegais. A facilidade para apostar também ajuda a explicar esse comportamento: as plataformas clandestinas não exigem reconhecimento facial, aceitam cartão de crédito e podem parecer mais atraentes ao oferecer a promessa de prêmios maiores. O consumidor nem sempre relaciona essa facilidade a riscos maiores.

Continua após a publicidade

Essa facilidade também pode acelerar o endividamento. Ao usar o cartão de crédito, por exemplo, o consumidor pode apostar com dinheiro que não tem disponível. Uma perda pode levar a uma nova aposta, o limite pode ser acionado e os juros podem transformar uma decisão tomada em segundos em uma “bola de neve”.

Os próprios apostadores defendem uma fiscalização mais rigorosa. Entre eles, 77% dizem que combater as bets ilegais deveria ser uma prioridade das autoridades para evitar o vício em apostas e 63% avaliam que o governo poderia fazer mais para proteger os apostadores contra sites e aplicativos ilegais.

Continua após a publicidade

O desafio agora é ajudar o consumidor a identificar, de uma maneira prática e no momento da aposta, se está diante de uma plataforma autorizada. A escolha acontece na tela do celular, muitas vezes durante o intervalo de um jogo, em pouco tempo.

A regulação precisa funcionar justamente nesse momento. O consumidor precisa entender por que essas regras existem e perceber que a facilidade oferecida por uma operação clandestina pode ter um custo muito maior do que parece. Para o País, esse problema oculto também é grande e precisa ser enfrentado.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Fundo bege claro com textura sutil, uma linha escura vertical no canto esquerdo e um ícone de árvore azul escuro no canto superior direitoFundo bege claro com textura sutil, apresentando um logotipo de árvore azul escuro no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 88% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 50% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).