Democracia para quem?
Negros são a maioria dos brasileiros, mas estão sub representados nas instâncias de poder
Será que o Brasil é mesmo uma democracia? Em termos de equidade racial na representação política, estamos bem longe disso. A constatação faz parte do estudo “Desigualdade racial na eleição brasileira”, dos economistas Sergio Firpo, Michael França, Alysson Portella e Rafael Tavares, pesquisadores do Insper.
A partir da base de dados do Tribunal Superior Eleitoral, o trabalho analisou o desempenho de candidatos brancos e negros nas eleições de 2014 e 2018. O levantamento mostra que, em ambos os pleitos, os negros acabaram sub representados nas câmaras estaduais e na Câmera Federal levando em conta a divisão racial do país. Segundo o IBGE, 56% da população brasileira se declara negra.
Em 2018, quinze Estados não tinham políticos negros eleitos. Os brancos eram maioria em sete Estados e havia equilíbrio racial somente no Amazonas e em Rondônia. – situação semelhante a de 2014. O estudo mostrou também que os candidatos brancos têm o dobro de chance de se eleger em relação aos negros.
O levantamento não tinha o objetivo de buscar as causas dessa desproporção, mas dá boas pistas. Não faltam candidaturas negras. A questão é que elas não têm o dinheiro dos brancos para financiar as suas campanhas, condenando a maioria a um resultado pífio nas urnas.
Daí a importância das cotas do fundo eleitoral e do fundo partidário destinadas às candidaturas negras e femininas – candidaturas de verdade, bem dito, e não de laranjas plantados por partidos interessados somente em cumprir tabela e manter as coisas como estão.
Enquanto os dois maiores grupos da população – negros e mulheres – não tiveram acesso irrestrito a cargos de poder, não dá pra falar em democracia no Brasil.





