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Planeta IA

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Estado Islâmico usa IA para “ressuscitar” líderes mortos em redes sociais

Relatório aponta que grupo terrorista tem obtido alto engajamento graças às novas tecnologias e à moderação falha das plataformas digitais

Por Alvaro Leme 2 mar 2026, 16h16 • Atualizado em 2 mar 2026, 16h17
  • Talvez você já tenha visto pela internet imagens de pessoas interagindo com parentes falecidos, recriados com a ajuda de ferramentas de inteligência artificial. Pois a mesma tecnologia tem sido usada pelos terroristas do Estado Islâmico para criar novos vídeos com líderes mortos do grupo e, assim, continuar disseminando sua ideologia nas redes sociais.

    Esta é uma das conclusões do relatório Coordinating Through Chaos: The State of the Islamic State Online in 2026, recém-lançado pelo Institute for Strategic Dialogue (ISD), organização independente de pesquisa sobre movimentos extremistas.

    Após monitorar 500 contas, canais e sites ligados ao grupo durante um mês, em plataformas que vão do Facebook ao TikTok, passando pelo WhatsApp, o ISD constatou que a máquina de propaganda do Estado Islâmico segue a todo vapor. Em parte, porque as principais plataformas reduziram drasticamente a preocupação com moderação de conteúdo. Outro trunfo do grupo tem sido justamente o uso da IA.

    Além da recriação de líderes mortos, essas tecnologias vêm sendo usadas para transformar textos em áudio e produzir conteúdos no formato de telejornais. A lógica é renovar material antigo e adaptá-los a novas audiências, o que combina a vantagem de reduzir custos de produção à oportunidade de permitir que figuras históricas do grupo permaneçam ativas simbolicamente, como se ainda participassem do fluxo contemporâneo de mensagens e mobilização ideológica.

    Estratégia de atuação multiplataforma

    O Facebook permanece o principal hub do grupo, apesar da expansão para novas plataformas. Os pesquisadores do ISD identificaram 350 contas pró-Estado Islâmico na rede social, que geraram dezenas de milhares de visualizações. Para driblar a moderação automática, o logo do grupo aparece borrado no canto da tela. “Eles são muito habilidosos em explorar as plataformas e espalhar mensagens”, disse Moustafa Ayad, pesquisador do ISD e autor do estudo, ao site norte-americano 404 Media.

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    O relatório também catalogou 944 grupos e canais de apoio ao Estado Islâmico — ativos, parcialmente ativos ou extintos — espalhados por diversas plataformas em 2026. Muitos deles se reinventam constantemente para escapar de remoções. A estratégia estabelecida num vídeo do próprio grupo é: se fecharem uma conta, abra outras três. E se fecharem três, abram outras trinta.

    No TikTok, pesquisadores encontraram conteúdo com versões em Roblox e Minecraft de vídeos famosos do Estado Islâmico, inclusive recriações do filme de propaganda Flames of War com personagens do jogo, completas com narração em árabe e inglês no mesmo estilo dos vídeos originais, execuções simuladas e até a criação de uma espécie de “califado virtual”.

    Para combater a presença do Estado Islâmico online, o relatório apresenta quatro recomendações centrais. A primeira é o investimento em moderação humana especializada, especialmente em idiomas menos representados. A segunda é a substituição de remoções pontuais por uma coordenação entre plataformas em rede, nos moldes das operações coordenadas pela Europol em 2019 e 2024. A terceira é o aprimoramento de ferramentas automatizadas para detectar variações de linguagem usadas para burlar filtros. E a quarta é que governos usem o material identificado como base para estratégias de comunicação que contestem diretamente a narrativa do grupo junto a comunidades muçulmanas.

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    Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda em 5 Minutos

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