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Por Paulo Cezar Caju
O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum
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Esse país não é para amadores

É estranho que sites de aposta patrocinem clubes de futebol

Por Paulo Cezar Caju Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
19 out 2020, 18h43

Nessa semana, Leonardo Gaciba, chefe de arbitragem da CBF, viu-se em maus lençóis, após assumir que já houve erro humano na aplicação das linhas de impedimento do VAR. Para piorar, mudou o quadro de árbitros do jogo entre São Paulo x Grêmio e está sendo metralhado pela diretoria de alguns clubes. Já era esperado, claro. A manipulação de resultados é algo que precisa ser investigado urgentemente pelo Ministério Público e Polícia Federal.

Em outubro de 82, quando eu jogava na França, a revista PLACAR estremeceu os pilares do futebol com uma matéria espetacular, que trazia na capa uma bomba: DESVENDAMOS A MÁFIA DA LOTERIA ESPORTIVA. Foi um trabalho criterioso, maravilhoso, do jornalista Sérgio Martins, que revelou o envolvimento de 125 pessoas, entre jogadores, dirigentes, árbitros, técnicos e personalidades no esquema de resultados. Foi estarrecedor porque havia muitos amigos envolvidos, inclusive dois campeões do mundo. Anos depois alguém duvida de uma possível manipulação de resultados? Eu, não. E falo muito sério quando peço a intervenção do Ministério Público, Polícia Federal e jornalistas investigativos.

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É inadmissível que sites de apostas patrocinem clubes. Se vocês não sabem, no final do ano passado 13 clubes estampavam em suas camisas o patrocínio de empresas de apostas, incluindo gigantes, como Flamengo (Sportsbet.io), Corinthians (Major Sports), São Paulo (Betsul) e Botafogo (Casa de Apostas). Mas ainda tem Betsul, NetBet, PPPoker, Pansudo Poker e tantos outros. Antes eram proibidos, mas foram regulamentados. Vários jogadores são garotos propagandas dessas empresas de apostas, como pode isso? Como não acreditar em manipulação? – embora, claro, mereçam todos o benefício da dúvida, até que algo realmente torto seja comprovado.

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Pelo que me informei os jogos de azar já são o sexto colocado em investimento em clubes, atrás das áreas de saúde, alimentação, construtoras, instituições financeiras e material esportivo. Mas alguém vai falar que isso faz parte da modernidade do futebol, que tenho que me conformar. O futebol virou um grande balcão de negócios. Treinadores empresariam jogadores e ex-jogadores são consultores de clubes e comentaristas. Hoje, ex-jogadores são comentaristas e apoiam campanhas para presidência de clubes, tudo na maior cara de pau.

Como dizia Tim Maia aqui vale tudo. Na verdade, Tim Maia dizia que esse país não podia dar certo, afinal aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante é viciado. Ele não podia imaginar que sites de apostas patrocinariam clubes de futebol. Definitivamente, esse país não é para amadores.

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