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O Som e a Fúria Por Felipe Branco Cruz Pop, rock, jazz, black music ou MPB: tudo o que for notícia no mundo da música está na mira deste blog, para o bem ou para o mal

Ziggy Stardust, o alienígena bissexual de David Bowie, completa 50 anos

Persona criada pelo roqueiro pautou shows teatrais e, até hoje, influencia a música, a moda e o comportamento de jovens artistas

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 16 jun 2022, 11h17 - Publicado em 16 jun 2022, 09h55

Há 50 anos uma nave alienígena pousava na Terra trazendo um roqueiro andrógino que pregava a paz e o amor. Em paralelo, era sexualmente promíscuo e ávido consumidor de drogas. Seu nome: Ziggy Stardust. O efeito causado pelo personagem criado por David Bowie para a sua seminal ópera rock The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars são sentidos até hoje. Desde então, as aventuras de Ziggy continuam levantando discussões a respeito da sexualidade, influenciando a moda e, claro, fazendo muita gente dançar. Se hoje astros como Harry Styles e Demi Lovato podem dizer com naturalidade que são donos de uma sexualidade fluída – sem parecerem alienígenas aos olhos do público -, muito disso se deve ao caminho aberto pelo extraterrestre criado por Bowie décadas atrás.

A viagem musical de Bowie é dividida em onze faixas e logo na primeira canção, Five Years, Ziggy avisa aos terráqueos que a Terra só tem mais cinco anos de vida após esgotarmos todos os recursos naturais. Profético, não? O álbum segue com composições como Soul Love, onde ele canta sobre as diversas formas de amar. A história de Ziggy continua em Lady Stardust, quando o alienígena, antes masculino, se transfigura em um ser feminino. Mas é em Ziggy Stardust que o enredo chega ao seu ápice, com o personagem decidindo dar fim à carreira de roqueiro. Não por acaso, a música, ao lado de Starman, se tornou uma das mais conhecidas do álbum. No Brasil, Starman, aliás, se transformou em um hit nos anos 1980 ao ganhar uma infame versão em português, intitulada O Astronauta de Mármore, da banda Nenhum de Nós. No nosso idioma, a letra é absolutamente diferente da original, mas o poder da canção de Bowie, no entanto, se mostrou tão forte que, mesmo em português mambembe, ela fez sucesso.

Nos palcos, a chegada de Ziggy Stardust também foi inovadora. Ao contrário dos shows de rock da época, Bowie surgia totalmente maquiado — o icônico raio multicolorido no rosto era uma dessas maquiagens — e cabelo tingido de um vermelho intenso. Ele fazia trocas de figurinos enquanto inseria elementos teatrais para contar a história do disco. Para apoiá-lo, contava com a soberba banda The Spiders From Mars, com Mick Ronson (guitarra), Trevor Bolder (baixo) e Mick Woodmansey (bateria), desfeita após a turnê. O sucesso foi tanto que, graças a essa turnê, após uma ampla cobertura da imprensa americana,  Bowie finalmente se tornou uma estrela nos Estados Unidos.

O visual criado por Bowie influenciou ainda a moda do movimento punk, passando pelo glam rock até, recentemente, os figurinos de cantoras pop como Lady Gaga e Sia. Assim, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars se tornou um daqueles raros exemplos em que a obra transcendeu seu sucesso comercial para se transformar em um marco cultural. A máxima do escritor de ficção científica Arthur C. Clarke, autor do livro e do roteiro, ao lado de Stanley Kubrick, do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (inspiração para Bowie compor Space Oddity em 1969), serve perfeitamente para descrevê-lo. “Existem duas possibilidades: ou estamos sozinhos no universo ou não estamos. As duas são igualmente aterrorizantes.” O planeta Terra, de fato, nunca mais foi o mesmo depois da chegada daquele estranho alienígena.

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