Se, com sua nota, o general Villas Bôas tinha a intenção de deixar o Supremo Tribunal Federal numa saia justa, saiba que deixou.
Seja qual for a decisão do tribunal sobre o pedido de habeas corpus de Lula, se dirá que os ministros votaram influenciados pela nota.
Se negarem o pedido, foi por medo do general e dos seus comandados. Se o acatarem, foi em defesa da própria instituição desafiada pelo general.
A imagem do Supremo deteriorou-se a um ponto jamais visto por culpa dele mesmo – do comportamento dos seus integrantes e de suas decisões.
Nunca antes na história da Corte ela fora alvo de manifestações de ruas como as de ontem e como as de logo mais.
O Supremo conseguiu o que os partidos à esquerda e à direita perseguem sem sucesso há muito tempo: pôs o povo de volta às ruas.
Um habeas corpus é apenas um habeas corpus. Concedê-lo ou negá-lo, um ato corriqueiro de juízes e tribunais.
Não deveria importar a identidade do requerente, mas a justeza ou não do seu pedido, se ele é cabível ou o contrário.
O Supremo deu um poderoso tiro no pé ao se aproveitar do habeas corpus de Lula para tentar acabar com a prisão em segunda instância.
E por que o fez? Para não ter que simplesmente negar ou conceder o habeas corpus pedido. Para acabar com o que a muitos interessa que acabe.
Onde passa um boi pode passar uma boiada. Se Lula passa, a boiada com medo da Lava Jato passará também.
A crise política que se arrasta até aqui sem data marcada para terminar, tinha antes muitos pais, mas o Supremo não era um deles. Agora, é.







