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Sem fantasia

A alegoria, própria dos dias de Momo, tomou conta da política 365 dias por ano.

Por Mary Zaidan 11 fev 2018, 10h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 17h03
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Carnaval e política sempre se misturaram. Nos desfiles com enredo social e em sambas-denúncia, nos bonecos e máscaras, nas marchinhas e paródias sobre escândalos e contra os caciques do momento. Tudo com bom humor e alegria. A diferença de uns tempos para cá é que a alegoria, própria dos dias de Momo, tomou conta da política 365 dias por ano. Quase todos metidos nela parecem viver no país da fantasia.

Desnecessário desfiar casos como o de Cristiane Brasil e seu séquito de descamisados ou de servidores públicos togados que reivindicam manter privilégios com discurso de quem quer acabar com eles. Nessa linha das regalias, ainda que o pagode de ocasião se concentre na Magistratura, há incontáveis blocos em todos os cantos da República, em todos os estados e municípios.

Para muitos a farsa típica do Carnaval é modo de vida: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os seus são exemplos bem-acabados disso.

Em incansável delírio, querem fazer crer que todos os procuradores, investigadores, testemunhas e juízes de duas instâncias – além da imprensa, por óbvio – afinaram-se para impedir o desfile do ex e sua “consequente vitória”. E, mesmo com ele legalmente impedido de se candidatar de acordo com a Lei da Ficha Limpa, ameaçam colocar o bloco na rua.

Tentativa que já se mostrou pouco eficaz quando não há abadás para serem generosamente distribuídos.

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Lula, que na sexta-feira amargou mais uma derrota justo na estreia de sua mais recente aquisição na defesa, o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, está mergulhado em cinzas.

Em favor dele até correm marchinhas como a Quero ver cadê a prova, divulgada com entusiasmo pela presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann.

O PT chegou a definir como estratégia lançar marchinhas para popularizar a “inocência” de Lula. Mas não colou. Pelo menos até agora.

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De cara, foram contestadas pelos Marcheiros, em Tio Lu lá no xilindró. E perderam feio para Bolsomico, crítica cruel ao pré-candidato Jair Bolsonaro e, de quebra, ao prefeito tucano João Doria.

Mas justiça seja feita: ninguém conseguiu bater o ministro Gilmar Mendes, hit maior deste Carnaval, cantado em meia dúzia de marchas. A melhor delas, Alô, Alô, Gilmar, é assinada por João Roberto Kelly, autor das deliciosas e inesquecíveis Olha a Cabeleira do Zezé, Maria Sapatão e Mulata iê-iê-iê, condenadas pela chatice do politicamente correto.

Fazer chacota de personalidades e até zombar das amarguras do dia a dia estão no DNA do Carnaval. São parte do espírito criativo e brincalhão do brasileiro. Mas nem de longe autorizam a folia cotidiana das autoridades, a ladroagem, distribuição de favores, privilégios e regalias.

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Recado dado, não mais adianta insistir na fantasia.

Mary Zaidan é jornalista. E-mail: zaidanmary@gmail.com Twitter: @maryzaidan  

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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