Nunca dei nada por Michel Temer. Político arrivista, zero carisma, semblante estranho, pose de mordomo, fala afetada. Antiquado, convicto. Certa vez, pediu “um marido” para o governo ser bem sucedido (entrevista ao apresentador Ratinho), e mandou as mulheres irem ao supermercado para monitorar a inflação, além de cuidar da família, claro.
De outra vez, Temer quis fazer graça num discurso e sugeriu “uma enchentezinha na Paraíba”, ao inaugurar a transposição do rio São Francisco. Falou do “câncer útil” de Pezão. Ele ficou “mais bonito” depois da doença, disse. De dar pena, se não desse raiva.
Gafes sucessivas. Mas Temer continua quase insignificante. Ou seria exatamente isso na política brasileira, se não tivesse se transmutado, à forca, em presidente da republica. Não merecerá mais que um perfil diminuto e desimportante nos livros de história do Brasil.
Temer só não é bobo. É muito mais esperto do que se supõe. Tem gana de se manter no poder, e sofreguidão para defender os seus. Ardiloso, sabe tratar com seus pares negociáveis, transacionar cargos nos ministérios e estatais. Dá corda até para os inimigos.
É isso que dá alguma potência a Temer. E o que lhe dá fôlego é ter que se defender e defender amigos próximos de acusações graves de corrupção que os levarão aos tribunais. Nem as “forças obscuras” que ele enxergou nas denúncias contra ele serão capazes de lhe tirar o valor que não tem. A importância de Temer hoje, é o hoje. Objeto decorativo. Nada mais.
Mirian Guaraciaba é jornalista, paulista, brasiliense de coração, apaixonada pelo Rio de Janeiro






