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O show de Trump

Aplausos, muitos, inclusive do próprio Trump para si mesmo. Vaias, algumas, poucas.

Por Maria Helena RR de Sousa 2 fev 2018, 11h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 17h11
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Não se pode negar: os americanos são craques em montar shows. O roteiro (ficção e realidade), a cenografia, os atores, o som, fica tudo perfeito. Assim foi o show, anteontem, para a transmissão do conhecido The State of The Union, discurso anual que os presidentes americanos fazem para o plenário de seu Congresso. O objetivo é nobre: o presidente comenta o que aconteceu no ano anterior e declara quais suas intenções para o ano que começa.

Aplausos, muitos, inclusive do próprio Trump para si mesmo. Vaias, algumas, poucas. O plenário, bem dividido entre Republicanos e Democratas, respeitoso, bem comportado. O discurso, o motivo de estarem todos ali, bem escrito, com um vocabulário rico, o oposto do palavreado indigente de Donald Trump em seus twitters, tentando mostrar um governo completamente diferente da realidade.

Na véspera o presidente convidara a Imprensa para dizer: “Eu gostaria de ver o país unido”. Mas, horas depois, diante daquele plenário, ele fez um discurso que em vez de unir o país, tornava bem claro que ele apoia apenas os americanos brancos.

Convidou representantes das minorias para exibi-los diante do Congresso como prova daquilo em que ele acredita: quem não é branco não está no mesmo nível dos americanos.

Foi sutil: os latinos até podem trabalhar na Imigração e expulsar pessoas parecidas com eles para fora do país; apresentou Evelyn Rodriguez/Freddy Cuevas, casal que perdeu uma filha para uma gangue composta por imigrantes, ao pedir ao Congresso que feche os buracos que permitem a entrada de imigrantes que ele considera indesejáveis; apresentou um soldador negro, Corey Adams, para lembrar que ele vai melhorar de vida com os cortes de impostos tramados pelos Republicanos que farão os ricos ficarem ainda mais ricos. Mas fez questão de lembrar que Corey era all-american

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Naquele salão elegante ficou muito evidente a cor endossada pelos deputados Democratas. Estavam de preto. A cor do luto quebrada apenas pelos deputados negros que usavam estolas acadêmicas ou gravatas no tecido Kente. São tecidos belíssimos, em cores fortes, cada uma simbolizando um sentimento, uma ideia. (Quem quiser aprender sobre o tecido Kente, é só clicar em https://en.wikipedia.org/wiki/Kente_cloth).

Mas Trump não seria Trump se não apavorasse o mundo com a terrível perspectiva de uma guerra nuclear. E ele está conseguindo nos apavorar… Mas seria bom que alguém gravasse uma placa de mármore para colocar diante de sua mesa de trabalho: “Não sei com que armas será lutada a Terceira Guerra Mundial, mas sei que a Quarta Guerra Mundial será lutada com paus e pedras” (Albert Einstein).

 

Maria Helena RR de Sousa é professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. www.facebook.com/mhrrs  

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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