Enquanto a série Mindhunters, que se baseia em um estudo que FBI fez da mente dos serial killers no final da década de 70, faz sucesso no Netflix, o jornal Clarín lembrava esta semana dos vinte anos da morte de um dos assassinos mais cruéis que atuou nos Estados Unidos, o argentino Ricardo Caputo.
A história de Caputo também é coisa de filme. Nascido em Mendoza, teve uma infância turbulenta, marcada pelo abandono, violência e abusos sexuais, conforme contou seu irmão Alberto, que também se tornaria famoso, mas por outros motivos bem menos macabros. Alberto se transformou em um fotógrafo de renome nos Estados Unidos, segundo informações do jornal Clarín.
Ricardo imigrou para os Estados Unidos em busca de fama e sucesso no começo da década de 70. Ganhou notoriedade após mais de duas décadas, quando confessou os assassinatos. Seu método era particularmente cruel pois desenvolvia laço sentimental com suas vítimas. Seduzia como uma espécie de Don Juan mórbido e depois matava de maneira brutal, a punhaladas, estrangulamento ou golpes. São quatro mulheres as suas vítimas confirmadas em um lapso de décadas nos Estados Unidos e México.
Os detalhes da vida de Caputo parecem ficção, algo saído do filme “O silêncio dos Inocentes”. Passou parte da vida entrando e saindo de manicômios. Em uma dessas instituições, fez uma de suas vítimas: uma jovem psicóloga que seduziu e terminou por estrangulá-la com uma meia de nylon, antes de escapar para San Francisco.
Seus crimes eram tão célebres que lhe renderam o apelido de “Lady Killer” e o primeiro lugar na lista de assassinos procurados pelo FBI. Chegou a escapar para o México, onde fez sua última vítima conhecida.
Por mais de vinte anos desapareceu do mapa. Reapareceu em 1994, depois de haver se casado e tido quatro filhos. Aparentemente, coube a seu irmão convencê-lo a se entregar nos EUA.
Caputo chegou a ser defendido por Michael Kennedy, representante legal de Ivana Trump em seu divórcio com o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Morreu de um ataque cardíaco na prisão em 1998, cumprindo uma pena de 25 anos.
Nos anos que esteve preso, foi entrevistado em diversas ocasiões pela jornalista Linda Wolfe que acreditava que ele teria sido também o assassino de uma amiga. Um crime que ele nunca confessou. No entanto, as entrevistas serviram como pano de fundo para o livro “Love me to death”, uma espécie de insight no modus operandi do “Don Juan da morte”.
O jornal New York Times chegou a dizer que Caputo confessou por remorso e para não continuar matando. As cinzas de Ricardo foram guardadas pelo irmão Alberto.





