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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O declínio moral da humanidade

A invasão bárbara da modernidade irrompe na sociedade globalizada, banalizando comportamentos e desejos

Por Gaudêncio Torquato 17 mar 2019, 12h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 19h53
  • A decadência moral da Humanidade está em curso, espalhando-se como metástase pelas Nações, embrulhada no celofane de avanços e progressos. Valores morais – ética, respeito, culto à família, proteção às crianças, respeito aos mais velhos, verdade, disciplina, zelo, ordem, solidariedade – são enxotados para ceder lugar a outros valores, estes que compram coisas materiais. A ambição reina. E a invasão bárbara da modernidade irrompe na sociedade globalizada, banalizando comportamentos e desejos.

    Vivenciamos um choque gigantesco, como prega Samuel P. Huntington, entre a Civilização e a barbárie. Ameaças rondam as conquistas das Nações nos campos da religião, arte, filosofia, ciência, tecnologia, em todos os espaços do conhecimento. Floresce um relativismo moral e cultural, abrem-se as comportas da desordem e da ilicitude, expande-se o comércio de drogas e de armas.

    Estados fracassados, declínio de ideologias, amortecimento de partidos, debilitação geral da família, quebra da confiança e corrosão da política emolduram a paisagem anárquica. A lei do revólver se instala. Jovens submetidos aos vícios dos tempos modernos – o bullying, a competição acirrada, os games de lutas e mortandade, a figura do herói, a solidão de muitos no meio da multidão – acabam adquirindo os meios que eternizarão suas imagens. As redes sociais fazem sua parte unindo o aqui e o fim do mundo. Forma-se uma teia transnacional de horror com “heróis mascarados” invadindo escolas e atirando a esmo.

    Eis o cenário que explica, em parte, a barbárie na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, onde Guilherme Tadeu, de 17 anos, e Luiz Henrique, de 25, mataram oito pessoas. Ao fim, Guilherme matou o comparsa e se matou. Imagens parecidas: em 1999, dois estudantes invadiram a escola Columbine, nos EUA, matando 13 pessoas e ferindo 21. Em 2012, atirador mascarado matou 12 e feriu 50 em Denver, no Colorado, dentro de um cinema. Estreava novo filme de Batman.  

    É um fenômeno que precisa ser analisado sob a perspectiva das transformações por que passa o planeta. Interpretar a fúria de jovens e adolescentes sem uma leitura da colcha de situações que geram traumas é ter visão curta. Se os professores tivessem armas, não haveria tal matança, garante um senador paulista. Que garantia é essa? Poderia ser pior. Urge entender a realidade do jovem, seus problemas de saúde mental, buscar meios para proteger melhor as escolas, envolver as famílias e a comunidade em projetos educacionais, entre outras abordagens.

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    Alguma esperança? Huntington sugere compartilhar valores-chaves comuns das religiões – cristianismo ocidental, igrejas evangélicas, ortodoxia, hinduísmo, budismo, islamismo, confucionismo, taoísmo, judaísmo – com o fito de se construir uma civilização universal. Só assim se pode evitar o “paradigma do caos”.  

    Os avanços nos campos da biotecnologia, da inteligência artificial, da agricultura e das comunicações não teriam serventia ante o descalabro que se multiplica em todo o mundo. E mais: o declínio moral tem muito a ver com a indigência mental de figuras públicas, que cultivam extravagâncias, como a criação de arsenais familiares. Uma sociedade armada vive sob a perspectiva de guerra.

     

    Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP e consultor político

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