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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O Brazil tá matando o Brasil (por Tânia Fusco)

Ar pesado

Por Tânia Fusco 5 Maio 2020, 13h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 18h57

O titulo é verso roubado da musica Querelas do Brasil, uma das muitas letras do Aldir Blanc, mestre em desenhar desditas e querelas da história brasileira. Um vai e volta sem fim.

O Brazil não conhece o Brasil. O Brasil nunca foi ao Brazil. (Assim, com Z mesmo, ironia do autor, traduzida em deboche gingado na voz de Ellis Regina). A cantora gaúcha, que foi embora cedo, era a mais perfeita interprete da poesia de Aldir.

A música é de 1878. Lembrava que o Brazil com Z não conhece o Brasil com S. O lado rico desconhece – ou ignora – o lado pobre. Simples assim. Não mudou quase nada.

O Brazil não merece o Brasil. O Brazil tá matando o Brasil.

Quarenta e dois anos depois, Aldir foi um dos mais de sete mil brasileiros mortos pelo covid 19 – 16 por hora. Na luta contra a pandemia, o Brasil – do S e do Z – encara um presidente desembestado que, dia sim dia não, sem máscara, ameaça com a volta da ditadura que, em 1978, vigorava, mas prometia ir embora.

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Na rua, desembestados partidários do desembestado-em-chefe tocam o terror, surrando opositores, jornalistas, urrando ameaças. Sem constrangimento, sem contenção. Sem voz forte a dizer: Não. Passou da conta!

A pandemia e a violência política assombram o Brasil – do S e do Z.

Como se ainda fosse 1978, as Forças Armadas são seguidamente convocas e seguidamente se manifestam – sem clareza, dizem pouco, negam menos ainda.

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No auge da pandemia, o soturno médico ministro, publicamente, derrapa para vestir a máscara de proteção obrigatória contra o vírus sorrateiro e mortal. É o soturno quem comanda (?) a guerra brasileira contra a doença. Ainda sem remédio, nem vacina de salvação.

Aldir, o poeta das 500 músicas, não deu conta de respirar tantas tragédias somadas.

O ar pesado também tirou de cena o ator Flávio Migliacio. Desistiu de respirar. “Me desculpem, mas não deu mais. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este”.

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Forte. Triste.

“Cuidem das crianças”, pediu Migliacio, sem fazer comédia da morte.

“Do Brasil, SOS ao Brasil”. Valia em 78. Vale hoje.

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Tânia Fusco é jornalista 

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