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Não convidem Dilma e Lula para a mesma mesa

MEMÓRIAS DO BLOG

Por Ricardo Noblat 14 jul 2018, 12h00 | Atualizado em 14 jul 2018, 12h00
Não convidem Dilma e Lula para a mesma mesa Priorize VEJA no Google

Texto do dia 14/07/2015

Em seu blog no portal G1, o colega Gerson Camarotti registrou a passagem do primeiro mês desde a última vez em que se falaram a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Foi durante o congresso do PT realizado em Salvador. Na ocasião, segundo Camarotti, Lula sugeriu a Dilma que não vetasse o fim do fator previdenciário aprovado pelo Congresso.

Lula argumentou que estava mais do que na hora de o governo fazer um gesto para os trabalhadores e sua base social como um todo, deprimida desde o início do ajuste fiscal.

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Dilma discordou. Disse que, caso não vetasse, o mercado financeiro ficaria inseguro e a política econômica perderia sua credibilidade. Ela e Lula se desentenderam feio. E nunca mais se falaram.

Lula joga para a plateia. Aconselhou Dilma a fazer o ajuste fiscal, mas ninguém mais se lembra disso. Se dependesse dele, o presidente do Bradesco ocuparia o lugar que é hoje de Joaquim Levy.

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Dilma não perdoa Lula por ter dito que ela, ele e o PT estão no “volume morto”. Nem a oposição ousou fazer uma crítica tão dura. Usando uma expressão daquelas que colam de tão felizes que são.

A presidente não quer mais depender de Lula para manter-se no cargo. Acerte ou faça besteira, deseja andar com as próprias pernas. Sente-se capaz disso.

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Não consultou ninguém, por exemplo, para conceder a entrevista à Folha de S. Paulo onde disse e repetiu que não será derrubada. A entrevista do “não caio, não caio, não caio”. Acha que fez sucesso.

Foi dela a ideia arriscada de escalar a passarela em forma de rede no pavilhão de exposição do Brasil, em Milão. Passou no teste. Balançou, balançou, teve que ser ajudada, mas não caiu.

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Não pensou duas vezes quando José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, sugeriu que ela se reunisse às escondidas no Porto, cidade portuguesa, com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. Concordou na hora.

Cardozo jura por todos os santos que ela e Lewandowski só conversaram sobre o reajuste dos servidores do Judiciário. Lorota. Discutiram o eventual impeachment de Dilma e o que ele, ministro do Supremo, poderia fazer por ela entre seus pares.

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Um dos cabos eleitorais da indicação de Lewandowski para o Supremo foi dona Marisa, mulher de Lula, de cuja família o ministro sempre foi amigo em São Bernardo do Campo, São Paulo.

No julgamento do mensalão, Lewandowski votou para absolver ou reduzir as penas dos mensaleiros. Fez par com o ministro Dias Tóffoli, ex-advogado do PT, e ex-assessor do então ministro José Dirceu.

Cardoso qualificou de “casual” o encontro de Lewandowski com Dilma em Portugal. Como “casual” foram os encontros que ele teve com advogados de empreiteiros presos na Operação Lava Jato e o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

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