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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Lula e Bolsonaro se unem contra a Globo

Raiva guardada

Por Ricardo Noblat Atualizado em 8 nov 2019, 19h10 - Publicado em 8 nov 2019, 19h05

O primeiro discurso de Lula livre foi mais do mesmo que ele tem dito desde que a Justiça o autorizou a conceder entrevistas ainda no cárcere — críticas ao ex-juiz Sergio Moro e aos procuradores da Lava Jato de Curitiba, a reafirmação de que é um homem inocente e injustiçado, estocadas no presidente Jair Bolsonaro e a promessa que voltará em breve a percorrer o país.

Houve lugar até para menções a dona Lindu (Eurídice Ferreira de Melo), sua mãe, hoje, nome de parque no Recife, que, segundo ele, nasceu analfabeta e morreu analfabeta. A chamar a atenção, porém, a raiva que guarda da Rede Globo de Televisão, e que fez questão de manifestar logo de saída. É isso, e aparentemente só isso, que o aproxima de Bolsonaro e dos seus filhos.

Lula não perdoa a Globo por achar que ela foi o principal instrumento usado por Moro e pelos procuradores para emporcalhar a sua e a imagem do PT, levando-o a ser condenado e preso. Da mesma forma, Bolsonaro vê a Globo como inimiga por tratá-lo de modo crítico desde que tomou posse e de ter envolvido seu nome no caso da morte de Marielle Franco.

Mas há uma diferença de comportamento entre os dois. Quando presidente por duas vezes, Lula jamais usou o poder do cargo para prejudicar diretamente a Globo nem qualquer outro veículo de comunicação. Bolsonaro só tem feito isso, sem sequer esconder. Nunca antes na história deste país um presidente da República atacou tanto a imprensa quanto Bolsonaro.

Amanhã, quando estrelar, de fato, em São Bernardo do Campo, seu primeiro comício depois de 580 dias de prisão, é que se poderá ter uma melhor ideia de que Lula estará de volta ao cenário político do país. Não será, como ele mesmo antecipou, o Lulinha paz e amor que se elegeu em 2002. Mas talvez não seja o Lula incendiário que Bolsonaro tanto deseja enfrentar.

 

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