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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Lamentável?

País Bolsolavista

Por Maria Helena RR de Sousa 12 abr 2019, 11h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 19h49
  • De vez em quando uma palavra se torna a campeã de audiência em comentários, posts e declarações sobre fatos ocorridos no Brasil. A que agora se impõe é “Lamentável”.

    Seus sinônimos, lamentoso, deplorável, plangente, são derivados do verbo Lastimar que vem do latim lamentare; é sem dúvida uma bela palavra que define bem falar com tristeza, com sofrimento, sentir aflição, lastimar acontecimentos negativos. 

    Mas você, leitor, acha que é a palavra adequada para uma autoridade comentar o hediondo fuzilamento de Evaldo dos Santos Rosa, um carioca alvejado por 80 balas (oitenta) disparadas por soldados do 1º Batalhão de Infantaria Motorizado, na Vila Militar? O que ele estava fazendo? Estava em seu carro com a mulher e uma filha de sete anos a caminho de uma festinha familiar. A menina assistiu o fuzilamento de seu pai. A menina viu o pai que tanto amava estar ali ao seu lado e, de repente, não estar mais. 

    E qual foi o comentário do excelso ministro da Justiça, Sergio Moro, sobre esse crime horrendo? Bem, numa crise assustadora de falta de vocabulário disse que o incidente era lamentável!

    Outro que lamentavelmente se expressou com tanta pobreza de espírito foi o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo Silva. Ele também acha que a morte do músico foi um incidente lamentável.

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    Já eu acho profundamente lamentável ter no Brasil autoridades que só se manifestam quando invectivadas pela Imprensa e nessa hora ficam tartamudos e só sabem fazer comentários paupérrimos.

    Lamentáveis são muitos fatos que vêm acontecendo com regularidade neste país hoje Bolsolavista. 

    Lamentável, por exemplo, é o Rio de Janeiro ter um governador de Estado – o da faixa – que, ao ser perguntado sobre as incontáveis mortes ocorridas pela ação dos snipers que ele tanto elogiou em sua campanha, ações que ofendem nossa população, ter declarado o seguinte: “Witzel diz não fazer ideia de quantos foram mortos por snipers: ‘Não faz parte do meu trabalho acompanhar’.

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    Temos mais o que lamentar? Se temos! Eu por exemplo lastimo o quadrunvirato que governa o Brasil hoje em dia. Um pai e seus três filhos. O pai foi eleito. Os filhos pegaram carona. Isso, sim, é lamentável.

    Os tiroteios, os snipers, o fuzilamento na Vila Militar, as mortes que tanto ferem o Rio de Janeiro, esses fatos não são apenas lastimáveis. São bárbaros, horrendos, desgraçados. São o prenúncio da barbárie que já vislumbramos no horizonte. E contra a qual não creio que tenhamos solução à vista.

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