Chegou o 4.4: VEJA por apenas 4,40
Imagem Blog

Noblat

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Jano e a democracia do Twitter

Da para ver o colapso de um sistema político que já não para em pé.

Por Elton Simões 31 dez 2018, 08h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 20h04
  • Jano deve estar confuso. No mínimo. Possivelmente até considerando demissão. Imaginou que seria uma honra emprestar seu nome para o primeiro mês do ano, não protestou. Afinal como deus romano de duas caras, uma olhando para frente e outra para trás, poderia facilmente conectar passado e futuro. É  deus das entradas e saídas, ou dos princípios e começos.

    Enganou-se. Não era fácil. Jano não havia ainda vivido em 2018. Neste final de ano, passado e futuro seriam tão obscuros que enxerga-los e entende-los são  tarefas impossíveis até para deuses. O ano termina com Jano coçando a cabeça para fazer sentido disso tudo.

    Sabe que ninguém planejou criar um sistema político que não representa os eleitores. Nem que houve alguma conspiração organização exclusivamente com o fim de destruir instituições e, mais importante, a crença nelas. Conspirações desta monta não são possíveis. Não somos organizados a este ponto. Mas o fato é que aqui chegamos.

    Olhando para trás, da para ver o colapso de um sistema político que já não para em pé. Não houve golpe ou conspiração. Apenas a aplicação da lei da gravidade. Caiu aquilo que estava tão podre que, carcomido, entrou em colapso devido ao próprio peso.

    2018 chega ao fim com a certeza de que o atual sistema de representação não nos representa. Conclusão dolorosa. Mas verdadeira. Mais verdadeira e dolorosa ainda quando, na impossibilidade da existência de vácuo de poder, o populismo passou a varrer o mundo como força incalculavelmente poderosa.

    Continua após a publicidade

    Em 2018, políticos perderam a função. Falharam em traduzir demandas dos eleitores em agendas políticas.  Abriram espaço para o vale tudo das mídias social onde tudo o que parece não é, mas tudo o que não é, lá está.

    Com isso fortaleceram-se os populistas. Governantes comunicam-se diretamente com a população sem a intermediação ou negociação política. Vale dizer o tudo ou o nada, desde que com menos de 2080 caracteres.  É a democracia do Twitter. Coisa perigosa para um mundo que precisa, e muito, de decisões sensatas baseadas em reflexões profundas.

    Mas Jano poderia, pelo menos, arrancar esperança do futuro. Afinal, também olha para a frente. Poderia. Se fosse possível. Mas poucos períodos foram tão incertos. Sabemos que o sistema político atual não é caso para reforma. Requer demolição. Só não apareceu arquiteto ou engenheiro que explique o que pode ser construído no lugar.

    Continua após a publicidade

    2018 nos deu muita razão para ser contra muita coisa. E quase nenhum motivo para ser a favor de qualquer coisa. 2019 chega como noite envolvida em neblina. Não adianta ligar a lanterna. Nem Jano consegue ver o que vem por aí. 

     

    Elton Simões mora no Canadá. É President and Chair of the Board do ADR Institute of BC; e Board Director no ADR Institute of Canada.É árbitro, mediador e diretor não-executivo, formado em direito e administração de empresas, com MBA no INSEAD e Mestrado em Resolução de Conflitos na University of Victoria. E-mail: esimoes@uvic.ca .

    Publicidade
    TAGS:

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    MELHOR OFERTA

    Digital Completo