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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Eleições e Compaixão

Psicanálise da Vida Cotidiana

Por Carlos de Almeida Vieira Atualizado em 30 jul 2020, 19h10 - Publicado em 12 fev 2020, 12h00

Compaixão é a atitude de se colocar no lugar do outro e vê que o sentimento que atinge a ele também atinge a você.

 

 

                 2020 será ano de eleições para prefeitos e vereadores. Essas duas formas políticas são, evidentemente a base, o alicerce das demandas ao âmbito federal, daí sua extrema importância quando formos às urnas. Nosso país tem uma abundância de prefeituras e um número excessivo de vereadores. Contando com suas assessorias (verdadeiros cabides de emprego) é gasta uma verba exorbitante, desnecessária, que teria mais sentido social se estivesse dirigida às políticas públicas. Seria interessante, numa Nação deficitária, reavaliar um enxugamento de tantas cidades pequenas sem necessidade de tantos políticos.

Bom, o que quero enfatizar hoje é um sentido da Compaixão frente às eleições. Amorosidade e compaixão são necessárias e a humanidade não pode sobreviver sem elas. A compaixão é um sentimento sublime, que precisa ser ensinada desde a infância; é um sentimento que difere de pena, de medo e de aspecto simplesmente moral. Compaixão é uma atitude que exige que se coloque no lugar de quem sofre, pois, esse sofrimento atinge toda a humanidade.

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Joan Halifax, professora zen-budista americana, antropóloga e ativista política, enfatiza a necessidade de se cultivar a compaixão. Ela nos ensina que ter compaixão é ver e sentir claramente a natureza do sofrimento (não estamos separados dele), e adverte que: “devemos votar em políticos que mostrem a capacidade de compaixão em trajetória”. Um político sem compaixão é uma pessoa egocêntrica que vai usar o poder, não para se identificar e transformar o sofrimento do seu semelhante, e sim para tirar proveito próprio e dos seus correligionários quando no poder.

Veja, prezado leitor, não se trata de partidos, facções, ideologias fundamentalistas, trata-se de condição de amorosidade e de capacidade de se colocar no lugar dos menos privilegiados. Sem compaixão não pode funcionar as tão aclamadas Políticas Públicas!

Joan Halifax nos lembra que, no Budismo, a concepção de “alma feminina”, é essa capacidade que principalmente as mulheres têm, pois elas “apreendem e acolhem os gritos do sofrimento”.  Necessitamos hoje, nesse mundo pós-moderno, direcionado ao desenvolvimento tecnológico e capitalista perverso, de resgatar o humanismo, a capacidade de amar, a importância de ensinar às crianças, a compaixão, para que o narcisismo mortífero não nos destrua antes da morte.

 

Carlos de Almeida Vieira é alagoano, residente em Brasília desde 1972. Médico, psicanalista, escritor, clarinetista amador, membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília, Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da International Psychoanalytical Association  

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