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Compaixão, inveja e alegria

Psicanálise da Vida Cotidiana

Por Carlos de Almeida Vieira 7 nov 2018, 15h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 20h11
  • “…Seriam os seres humanos tão mesquinhos a ponto de serem incapazes de agir humanamente, a menos que se sintam instigados e por assim dizer compelidos pela sua própria dor, ao ver outros sofrerem?”
    Hannah Arendt in “Homens em tempos sombrios”.

    Nesse texto, a filósofa alemã coloca a questão da compaixão e da inveja. Compaixão é um sentimento que se espera que alguém se coloque no lugar do outro dolorido, e desse modo possa mostrar um gesto de humanidade e não de filantropia culposa.

    Inveja é um sentimento que aponta para a falta; falta de alguma qualidade que o outro tem e que a pessoa deseja para ela. A inveja é um sentimento doloroso e, dependendo como se reage, o invejoso ataca o invejado, com isso estraga, põe defeito e tenta se livrar da dor. Ninguém inveja o que não presta. Outro modo de se lidar com dor da inveja é se atacar, desqualificando a si mesmo em comparação como bom do outro. O ideal é que a pessoa possa transformar a inveja em admiração, mas essa mudança é complexa,pois exigiria muita humildade e capacidade de ter prazer com aquilo que é do outro e não, seu.

    Hanna Arendt, sensivelmente vai dizer que “O obstáculo para essa alegria(aproveitar com prazer as qualidades dos outros – grifo meu)é a inveja que na esfera da humanidade é o pior vício”. Lamento que Arendt não dava conta que a inveja é a dor da falta, e na falta vem o ódio de ver que o outro tem aquilo que lhe falta. Uma coisa é a dor da falta, outra coisa é a defesa contra a dor, que é o ataque e a impossibilidade de alegria da qualidade alheia.

    Falta à filósofa considerar questões que a Psicanálise pode sentir e entender. Somos animais-humanos, com uma tessitura de bondade e maldade independentes de nós. Nem sempre a violência é justificada pela agressão da realidade. A violência reside em todos nós assim como a amorosidade. Freud nos ensinou que a possibilidade de civilizar os humanos era lidar com suas pulsões, com seus instintos, através da sublimação. Porque será que Nietzsche, tido erroneamente como pessimista, e sim como niilista, sentiu que humanizar poderia se fazer através da ciência(não como verdade última), da arte, da música,e de uma racionalidade que incluísse os afetos?

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    Fica a questão: nas ideias de Nietzsche sobre a civilização encontramos a possibilidade de que “a arte trágica apareceria como o cimento vivo das sociedades, e o poeta e o homem trágico, como verdadeiros precursores da humanidade”. A racionalidade, a moral cristã foram o empecilho de valorizar os homens como seres afetivos, além de racionais, uma vez que os afetos eram tidos como bruxarias ou qualidades menores. Nietzsche e Freud resgatam a integração da alma humana, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, como nos cantou nosso Glauber Rocha.

     

    Carlos de Almeida Vieira é alagoano, residente em Brasília desde 1972. Médico, psicanalista, escritor, clarinetista amador, membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília, Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da International Psychoanalytical Association  

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