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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Bolsonaro, um presidente de palavra

Garimpeiros em festa. O combate à corrupção pode esperar

Por Ricardo Noblat Atualizado em 6 fev 2020, 09h00 - Publicado em 6 fev 2020, 08h00

Dele não se poderá dizer que esconde o que lhe vai na alma. Muitos políticos agem assim – dissimulam, falam o que o interlocutor quer ouvir ou se recolhem ao silêncio. Bolsonaro é diferente. Para atrair os holofotes, exagera em algumas ocasiões, é fato, mas o exagero só reforça o que de fato pensa.

Quando disse que o índio está evoluindo para ficar parecido “conosco” é porque de fato acredita nisso – que se parecer com um homem branco, renunciando aos seus próprios valores, cultura, religião e modo de viver, significa um passo adiante e não atrás. O atraso seria se o índio teimasse em viver como sempre viveu.

Por acreditar em tal coisa, nada mais natural que Bolsonaro vá em frente e, como presidente da República, passe da teoria à prática, redesenhando o mundo ao seu gosto. Foi o que fez ao nomear um missionário evangélico para cuidar dos índios que vivem isolados e assinar o projeto que libera o garimpo em terras indígenas.

O esvaziado chefe da Casa Civil da presidência da República, Onyx Lorenzoni, da turma dos mortos-vivos deste governo, batizou o projeto de nova “Lei Áurea”. A antiga, de 1888, assinada pela Princesa Isabel, ficou conhecida como a que extinguiu a escravidão no Brasil. Não ficou claro o que Lorenzoni quis dizer.

Que o projeto do seu chefe libertará os índios da escravidão de viverem em partes ainda preservadas do seu habitat? Ou que o projeto libertará os garimpeiros e, no rastro deles, as grandes empresas de mineração, da obrigação prevista em lei de respeitarem os limites das reservas indígenas?

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Lorenzonni não entende nem de índio nem de garimpo. De garimpo, Bolsonaro entende. Às escondidas dos seus superiores, o cabo Bolsonaro, para embolsar mais algum, garimpou no Mato Grosso. Recebeu mais tarde uma advertência por conta disso. Sujou sua folha corrida. Mas encantou-se pelo garimpo.

Em campanha para presidente, prometeu aos garimpeiros que derrubaria todos os entraves ao exercício de sua arte. Como homem de palavra, começou a cumprir. Havia assumido o mesmo compromisso com empresas de mineração. Elas não poderão se queixar. Mais uma vez, só o Congresso poderá contrariá-lo.

Seus adversários dirão que nem sempre Bolsonaro honra a palavra empenhada. No caso do combate à corrupção, por exemplo. Ele se elegeu como o candidato do partido da Lava Jato. Chamou o cabeça da Lava Jato para ministro da Justiça. Mas só tem feito enfraquecê-lo. Convenhamos… Dê-se um desconto.

Deve ser duro ver alguns dos seus filhos como investigados por suspeitas de corrupção. Aos filhos, ele só imaginava servir filé. Um deles ganharia a embaixada do Brasil em Washington. Não passou de um sonho. Por mais que se empenhe, Bolsonaro ainda não conseguiu livrar os filhos da condição de investigados.

O combate sem trégua à corrupção pode esperar.

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