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As ruas voltaram

Brasil dividido, fragmentado pelo antagonismo político e radicalização ideológica

Por Gustavo Krause
Atualizado em 30 jul 2020, 19h41 - Publicado em 3 jun 2019, 13h00

As ruas são a versão moderna da Ágora ateniense e a Praça Pública da esfera digital. Voltaram à paisagem política. Nelas se concentram multidões movidas pelos sentimentos humanos de rebeldia, insurgência, indignação, cooperação e solidariedade. (Des)afetos se misturam; bandeiras têm identidades; causas variam;  agendas são múltiplas e  lideranças…bom, em geral, não existem lideranças formais o que na singularidade dos movimentos reflete a autonomia do indivíduo.

A primeira década do segundo milênio mostrou que o mundo adotaria um novo formato: a sociedade em rede interconectada, veloz, ora pacífica, ora furiosa, esperançosa ou indignada, sempre mobilizada pelo sagrado direito da livre manifestação.

Da galáxia Gutenberg às nuvens da WEB, a sociedade tornou-se “líquida”, segundo Bauman. Manuel Castells escreveu a obra monumental “A era da informação: economia, sociedade e cultura” (três volumes, Paz e Terra, 1999) e analisou a dinâmica da “cultura da virtualidade real”, um novo paradigma para as noções tradicionais de tempo e espaço. Observador lúcido e penetrante das transformações, Castells  escreveu em “Ruptura” (ZAHAR, 2018): “Existe  uma crise  ainda mais profunda (…) que envenena nossas vidas: a ruptura da relação entre governantes e governados”.

E com toda razão. Se, de um lado, os regimes autoritários odeiam a liberdade de expressão e o espírito crítico vocalizados pelas redes sociais, de outra parte, os mecanismos de comunicação online disseminam a força demolidora do desencanto e da fúria contra as instituições da democracia liberal. Falsos ou verdadeiros, os petardos arremessados abrem caminho para uma infantaria liderada por populistas autoritários que reivindicam para si a representação exclusiva do povo.

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Os dois últimos protestos revelaram um Brasil dividido, fragmentado pelo antagonismo político e radicalização ideológica. Mais educação, mais reformas, menos corrupção, ainda que aparentem uma coesão propositiva, na verdade, encobrem o ódio enrustido de grupos aninhados na intolerância extremada.

Nestes grupos, o populismo emite sinais inconfundíveis: homem providencial,  aversão à liberdade de opinião, demagogia distributivista, soluções simples e erradas, maniqueísmo, apelo às massas, inimigo permanente, desprezo pelas instituições.

No entanto, existem armas capazes de enfrentar o fenômeno político que ameaça, globalmente, as democracias liberais. A primeira é unir os democratas de matizes diferentes, antes que se vejam juntos, tardiamente, diante da impotência; a segunda é não subestimar bravatas do líder populista porque nela está embutida a astúcia; a terceira, diz Yascha Mounck: “Salvar uma democracia de um populista perigoso é como correr uma ultramaratona”. A palavra de ordem é resistir e avançar sempre.

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