Chegou o 4.4: VEJA por apenas 4,40
Imagem Blog

Noblat

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A vida, a morte e os impostos

“Somos obrigados a pagar e se não pagar, é bronca!"

Por Gustavo Krause 22 set 2019, 11h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 19h25
  • Uma cena prosaica: café da manhã na véspera de um feriado prolongado. Família de classe média: o pai, pequeno empresário com garra de empreendedor; a mãe, trabalhadora da área de saúde, chefe de enfermagem de um grande hospital; os filhos, casal de adolescentes, estudantes da rede privada. Suco de laranja, sanduíche misto, uma xícara de café, cardápio para vencer um trânsito insuportável e atender ao gentil convite de fraterno amigo, proprietário de um flat na famosa praia de Porto de Galinhas.

    De repente, o garoto, perguntou: “Pai, o que é reforma tributária, que tanto se fala na escola e nos noticiários”? Mesmo premido pelo tempo, ele não se fez de rogado e com paciência didática: “Aqui, sanduíche, pão, café, água, bujão de gás, eletricidade, a roupa que você está vestindo, automóvel, combustível, dinheiro ganho e gasto por nós, este apartamento, material da construção, enfim, tudo paga imposto e…muito, sendo que os pobres pagam proporcionalmente mais do que os ricos”.

    “E a gente é obrigado a pagar? “Somos obrigados a pagar e se não pagar, é bronca! De tudo que se produz no Brasil, cerca de 35% vai para os governos”. O menino arregalou os olhos e exclamou: “Tudo isso! E o que é que o governo faz com tanto dinheiro? O pai não conteve a faísca de indignação e complementou a pergunta “Deveria fazer, mas não faz. Nos últimos trinta anos, só fez aumentar impostos/tributos e deveria retribuir à sociedade segurança, saúde, educação de boa qualidade, facilitar a vida de quem produz”. Aí foi a vez de a mocinha apimentar a conversa: “Por isso que a mãe diz que ‘tem que apertar o cinto’ por conta dos planos de saúde e das mensalidades escolares”.

    “É isso aí meus filhos, concluiu o pai, os governos são eficientes em aumentar e cobrar impostos, ineficientes para prestar serviços à população, perdulários e, não poucas vezes, corruptos com o uso do dinheiro que pertence a todos nós”.

    Fez-se um silêncio constrangedor diante do tom da indignação do cidadão calmo e paciente. “E a reforma, Pai? “Não faltam propostas. Só espero que a emenda não venha pior do que o soneto”.

    Continua após a publicidade

    Interveio, então, a mulher, com pragmatismo e sabedoria: “Tudo pronto? Simbora, na vida, só existem duas coisas certas: a morte e os impostos, disse um célebre americano”.

    Gustavo Krause foi ministro da Fazenda 

    Publicidade
    TAGS:

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    MELHOR OFERTA

    Digital Completo