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“A revolução dos bichos”

Fraquezas humanas

Por José Paulo Cavalcanti Filho 11 out 2019, 11h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 19h23
“A revolução dos bichos” Priorizar nos meus resultados Google

Roma. Trata-se do título de famoso romance (Animal Farm). Segundo a Modern Library List, “um dos 100 melhores do Século XX”. Do escritor inglês George Orwell. Mesmo autor do clássico 1984. O livro trata das fraquezas humanas. Tudo começa quando o sr. Jones, proprietário de uma fazenda, esquece de dar a ração diária dos animais. Os jovens porcos Bola de Neve (Snowball) e Napoleão (Napoleon) lideram uma revolta. E os humanos acabam expulsos de lá. Porcos letrados criam 7 mandamentos. Para os animais poucos inteligentes, resumidos em só um: “Quatro patos bom, duas patas mau”. Mais importante é o último: “Todos os animais são iguais”. Só que, aos poucos, o poder inebria os líderes. Napoleão se torna um Ditador. E altera o lema da Revolução, que passa a ser: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.

Agora descobriu-se, entre os papéis de Orwell, um novo capítulo (não publicado) do livro. Sem que se saiba por que não foi acrescentado, nas edições seguintes. Nele temos que a corrupção se disseminou, com Napoleão, na Quinta dos Animais. A grana, que antes era de todos, passou a ir para o Partido dos Porcos. Ou foi engordar os bolsos da companheirada. O sr. Jones, por vingança (mais que por interesse público), denunciou esses enriquecimentos ilícitos. O MP ouviu. Porcos amigos começaram a ir em cana. Foi quando Napoleão decidiu reagir. E prendeu o sr. Jones. Sob acusação de ter sido visto, em restaurante próximo, saboreando uma galinha. Decidindo o Tribunal que a pena, para tão grave crime contra os animais, era a morte. O sr. Jones argumentou não haver, no CPP (Código Penal dos Porcos), tal crime. Deu em nada. Os Ministros decidiram que eles próprios, a partir de agora, é que fariam as leis. Em cada caso. E o pobre do sr. Jones acabou perdendo (literalmente) a cabeça.

Depois da execução, soube-se de conversas entre os magistrados do caso. No plenário do Tribunal dos Porcos. Um: “Esse tal sr. Jones queria o quê? Prender companheiros porcos? Ficou louco?”. Outro: “É uma lição boa para ninguém mais se meter conosco”. Um terceiro: “A força da Justiça vai pesar, agora, contra quem nos ameaça”. No final da sentença de morte, foi definida uma alteração no lema da Revolução, que passou a ser: “Todos os animais são iguais; mas porcos, e seus amigos, estão acima de todos”. O Presidente do Tribunal, encerrando a sessão, e olhando para as câmaras da TV Justiça com lágrimas nos olhos, sugeriu ainda um complemento, aplaudido freneticamente pelos Ministros presentes: “E porcos não poderão mais ser presos”.

P.S. A notícia desse novo capítulo do livro é falsa, claro.

José Paulo Cavalcanti Filho – jp@jpc.com.br 

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