24.6.2008
Aos que me cobram notícias de Luana, que ontem completou cinco meses: ela passa muito bem. Outro dia teve rubéola, mas não foi nada sério. Mede 66 centímetros, pesa seis quilos e quarenta gramas e começou a ser treinada para suceder o avô à frente deste blog.
Passará uma temporada no Rio a partir do próximo dia 5. Ganhou meia dúzia de maiôs de vários modelos e cores para tomar seu primeiro banho de mar. Será em Ipanema. Mas para evitar assédio não direi o local exato, nem dia, muito menos hora.
As providências para a estréia da nova garota de Ipanema estão longe de parecer com as que cercaram o primeiro banho de mar tomado por André, meu filho mais velho. Ele não gosta que eu as relembre, acha que pega muito mal – mas como não fazê-lo?
O primeiro banho de mar do primeiro filho a gente jamais esquece. É uma experiência única. E, no caso do banho de André, de uma complexidade que eu jamais testemunhei até hoje. Morávamos em Salvador no bairro do Rio Vermelho.
Rebeca passou uma semana inspecionando os trechos de praia entre o Largo de Santana e o Farol da Barra. Escolheu o trecho curvo e de mar calmo da praia da Paciência. A data do banho mudou várias vezes. Ora o dia amanhecia nublado, ora ensolarado demais.
– É hoje, levante-se rápido – ela ordenou por volta das sete horas da manhã de um dia qualquer do mês de julho de 1980. André estava perto de completar um ano.
Fomos os quatro de carro – eu, ela, André, e Joana, que agora praticamente abandonou o serviço aqui em casa para se dedicar a Luana.
Uma vez na praia, comecei a cavar buracos para plantar dois gigantescos guarda-sóis – um que abrigaria Rebeca e André, o outro eu, Joana e os apetrechos indispensáveis para a ocasião. A saber:
* uma mamadeira com leite;
* outra mamadeira com água;
* mais uma com suco de laranja.
* meia dúzia de laranjas descascadas para a eventualidade de André preferir suco feito na hora;
* três garrafas de água mineral para repor a água da mamadeira caso André tivesse muita sede;
* uma lata de leite Ninho;
* dois calções de reserva;
* seis toalhas grandes para serem estendidas na areia;
* duas especialmente felpudas para enxugar André;
* quatro boias: uma para pôr na cintura de André; outra maior onde coubéssemos eu e André; e duas pequenas para os bracinhos deles. Na hora se escolheria qualquer uma delas, a depender da reação de André.
Quando eu mal conseguira plantar o segundo guarda-sol, ouvi a voz enérgica de Rebeca vinda do primeiro:
– Entre no mar com André que já está na hora de irmos embora.
Fazia menos de quinze minutos que estávamos ali.
– Com qual boia?
– Não dá tempo de usar boia. Entre e saia logo.
Na verdade, mal entrei. Segurando André pelos braços, espanei a água com os pés dele. Rebeca temia que alguma onda pudesse arrebatá-lo de mim. Não havia ondas – nem vestígios delas.
A operação para desmontar os guarda-sóis e recolher toda aquela tralha levou mais cinco minutos. André só bebeu água – e ainda assim por insistência da mãe, preocupada em mantê-lo hidratado.
O segundo banho de mar só aconteceu dali a dois meses – no mesmo local e sob as mesmas condições.
A comitiva que irá ao Rio para o primeiro banho de mar de Luana será formada pelos pais dela, Vitor e Sofia, por Rebeca e eu e mais Joana, é claro.
Em atenção aos leitores deste blog no Rio, negocio com Sofia um breve passeio de fim de tarde no shopping do Leblon. Enquanto farei compras na Travessa, Joana ficará com Luana no colo sentada em um daqueles sofás à porta da livraria.
Avisarei dia e hora. Os interessados poderão dar um pulinho até lá para festejá-la. Haverá permissão para fotos – mas sem flash.





