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A febre e o poder público doente

O principal vetor da febre amarela, que já tem características de epidemia (em pleno século XXI!), é a irresponsabilidade do Poder Público.

Por Chico Alencar 6 fev 2018, 16h00

Fevereiro tem carnaval, só que o que mais agita hoje a brava gente brasileira é o surto de febre amarela, tão letal. Fevereiro marca o reinício dos trabalhos legislativos e do Judiciário, mas a quase totalidade do povo não está nem aí para isso: tem é medo de pegar a doença trazida pelo mosquito.

O heroico combate que Osvaldo Cruz liderou, no início do século passado, foi em vão? Vivemos tempos de retrocessos em todas as áreas. Os da saúde pública são os mais mortais dessa generalizada regressão.

O principal vetor da febre amarela, que já tem características de epidemia (em pleno século XXI!), é a irresponsabilidade do Poder Público. O da União tem sido o mais inconsequente.

Provo com a cronologia das palavras vazias, um dos mais antigos costumes da nossa degradada política. Há um ano o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que a febre amarela “estava controlada em Minas e a vigilância nos outros estados, qualificada, agia de forma adequada”. Até julho de 2017 foram 161 mortes e 475 casos, mas dois meses depois Sua Excelência garantiu que o surto estava extinto. Seu próprio Ministério agora confirma 280 mortes, em 755 casos, desde 2014 – 43 no primeiro mês deste ano, principalmente no Sudeste. Em abril passado, o ministro garantiu que não haveria fracionamento da vacina. Aí está a prática, por falta de estoque, e com eficácia ainda em debate quanto ao tempo de imunização que a dose menor proporciona.

Some-se a isso a desinformação, que devia ser enfrentada também por políticas educativas de comunicação. Mas Temer prefere ir a entrevistas combinadas em programas populares de TV, para se autoelogiar e defender mudanças enganosas na Previdência (aquela que só recuperou 0,32% dos R$ 427 bilhões que lhes são devidos por empresas como JBS, Caixa, Bradesco e que tais, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional).

Isso tudo revela que o grande doente crônico do Brasil é a autoridade pública, com suas políticas descomprometidas com o bem-estar da população, emolduradas por discursos mentirosos. Em outubro, Sua Excelência a Cidadania será chamada a dizer o que pensa disso tudo, e desses todos.

*Chico Alencar é professor, escritor e deputado federal (PSOL/RJ) 

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