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Na Ponta da Língua

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Para tirar dúvidas inquietantes, aprender dicas preciosas e curiosidades que ajudam a dominar o bom português

De ‘papar’ a ‘papável’: quando o papa e a comida viram heresia linguística

Descubra como essas palavras unem religião e culinária em uma deliciosa confusão — com direito a etimologia, duplo sentido e bom humor

Por Noslen Borges 24 abr 2025, 12h14 • Atualizado em 24 abr 2025, 12h15
  • Fala, pessoas!

     

    A língua portuguesa é mesmo um espetáculo, né? Riquíssima, cheia de nuances e, às vezes, deliciosamente ambígua. Quem viu as recentes reportagens sobre a sucessão papal, após a morte do Papa Francisco no último domingo, provavelmente teve aquela reação digna da quinta série (ou melhor, do sexto ano, como se diz hoje em dia): “Papável? Isso é de comer?”

     

    Calma, você não está sozinho. Vamos desvendar essa deliciosa confusão linguística.

    De onde vem a palavra “papa”?

    Tudo começa no grego antigo. A palavra “papa” vem de pappas, que significa “pai”. No início, entre os séculos III e V d.C., o termo era usado de forma mais ampla, referindo-se a diversos bispos. Só no século IX é que o título passou a designar exclusivamente o bispo de Roma, ou seja, o líder máximo da Igreja Católica.

    A palavra “padre”, que no espanhol significa “pai” e no português se transforma para nomear o sacerdote responsável por uma igreja, uma paróquia, uma comunidade cristã católica é mais um exemplo de como a raiz “paternal” assume diferentes formas e funções nas línguas de origem latina, especialmente no campo religioso.

    Portanto, “papa”, nesse contexto, não tem nada a ver com comida. Pelo menos, não ainda…

     

    E o verbo “papar”, vem de onde?

    Agora sim entramos no campo da alimentação, ou quase isso. O verbo “papar”, no sentido de comer, vem do latim pappo e origina também papo, pela sua associação com a parte dilatada do início do trato digestivo das aves na base do pescoço, região que se associa à fala nos seres humanos.. Em português, “papar” é um termo informal que remete a comer com vontade, às vezes até com pressa. Mas também pode ganhar outros tons mais… digamos, picantes.

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    Dependendo do contexto, “papar” pode significar conseguir algo de forma duvidosa ou até fazer alusão a relações sexuais. Tudo depende do tom da conversa (e da malícia de quem ouve).

     

    “Papável”: uma palavra, dois sentidos e muita confusão

     

    A cereja do bolo é a palavra “papável”. Do ponto de vista da morfologia, trata-se de um adjetivo formado pelo sufixo “-ável”, usado para indicar aquilo que pode ser feito. Exemplos? “Verificável” (que pode ser verificado), “ajustável” (que pode ser ajustado), e claro, “papável”, que pode ser Papa… ou pode ser comido.

     

    Sim, a mesma palavra carrega esses dois significados, e os editores mais espertos têm se aproveitado disso. Muitos veículos de imprensa, inclusive, passaram a usar “papável” entre aspas nos títulos, justamente para destacar esse duplo sentido — meio sacana, meio religioso.

     

    Coincidência ou destino linguístico?

     

    No fim das contas, trata-se de uma feliz coincidência etimológica. Duas origens latinas, dois sentidos distintos, e um mesmo termo capaz de deixar até os mais sérios leitores com um sorrisinho no canto da boca.

     

    A língua portuguesa, afinal, é isso: uma mistura de história, cultura e criatividade. E às vezes, ela nos prega essas peças que são puro sabor, seja de risada, seja de reflexão.

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    Espero que você esteja gostando dessa coluna que tem por finalidade deixar você com a língua portuguesa NA PONTA DA LÍNGUA.

    Não se esqueça de que toda terça-feira e toda quinta-feira posto um texto novo por aqui; se você está gostando, já compartilha o link da coluna com a família e todos os seus amigos!

    Vamos que vamos!

    Professor Noslen Borges

     

    Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha

    Revisão de Conteúdo: Prof. Me. Fernando Pestana

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