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As quatro âncoras

Desafiadora, agenda pede uma leitura acurada do cenário político

Por Murillo de Aragão 20 ago 2023, 08h00

O Brasil, como país, está dependente de quatro âncoras. Elas fundamentam o funcionamento da nação e determinam as expectativas que devemos ter do futuro imediato. Dada a qualidade precária de nossa reflexão sobre a conjuntura, as quatro âncoras não são devidamente percebidas pelo observador desatento. Assim cabe explicar quais são elas e como relacioná-las com a conjuntura.

A primeira âncora é a cambial. A existência de reservas abundantes e bem administradas dá uma tranquilidade ao investidor estrangeiro no Brasil e aos nacionais que estão inseridos na cadeia global de produção e comércio. As reservas brasileiras, acima de 350 bilhões de dólares, são uma garantia para que o país negocie com o mundo exterior e tenha caixa para enfrentar alguma adversidade. Não custa lembrar que cash is king.

Derivada da existência de reservas, temos a existência de um Banco Central, que possui sólida reputação e expertise reconhecida em gerenciar nossas políticas monetária e cambial. Ter um BC acreditável é condição sine qua non para que o país seja considerado ambiente saudável para investimentos.

A segunda âncora é a questão fiscal. O novo governo, no intuito de recompor a política fiscal, propôs um novo arcabouço fiscal, em discussão no Congresso. A meta ousada de zerar o déficit primário em 2024 desperta desconfiança nos agentes econômicos. Será que, em meio a uma expansão de gastos e indefinição sobre as fontes de arrecadação, teremos receitas ou cortaremos despesas para zerar o déficit?

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“Executivo e Congresso vão ter de superar desconfianças e evitar um cenário complexo”

A terceira âncora é o controle da inflação. Sem um controle fiscal rigoroso existem dúvidas por parte do mercado se o Banco Central vai entregar uma inflação dentro da meta. Prevista para 3,25%, o mercado teme que o Banco Central não tenha as condições conjunturais para cumpri-la. A “desancoragem” da inflação é um sinal de alerta que reverbera a preocupação com o desempenho fiscal.

Até aqui comentamos três âncoras. Uma com um desempenho positivo, a âncora cambial, e duas com cenários de incerteza: a âncora fiscal e a âncora do controle da inflação. A quarta âncora é a questão política. O governo necessita ter uma boa ancoragem política que resulte em um avanço positivo das agendas econômicas e fiscais em debate no Congresso. Isso ainda não está claro e depende de uma minirreforma ministerial em curso.

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Ter uma boa ancoragem política representa ter uma base de sustentação que apoie uma agenda difícil de temas fiscais, tributários e econômicos no Congresso Nacional. Apenas para lembrar, o cardápio é amplo e complexo: Orçamento da União; arcabouço fiscal; Carf; tributação de fundos exclusivos; tributação de offshore; reforma tributária; desoneração da folha de pagamento, entre outros.

Considerando o quadro do início do segundo semestre e os temas em debate, a agenda é muito desafiadora. E que demanda, sobretudo, uma leitura acurada do cenário político. Mas não basta a leitura correta sem a ação consequente.

Para evitar uma “desancoragem” generalizada, no sentido da perda de confiança nas quatro âncoras mencionadas e que resulte em uma grave crise de confiança no país, as lideranças do Executivo e do Congresso vão ter de superar suspeitas e divergências e, efetivamente, trabalhar para evitar um cenário complexo e problemático nos próximos meses.

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Publicado em VEJA de 18 de agosto de 2023, edição nº 2855

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