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Vazamentos maciços: estão generais sabotando Trump na questão do Irã

Está feia a coisa quando uma “fonte" aparece na mídia para dizer que o chefe do Estado Maior tem restrições a operações militares

Por Vilma Gryzinski
25 fev 2026, 06h48 • Atualizado em 25 fev 2026, 07h23
  • Ninguém sabe o que Donald Trump vai fazer em relação ao Irã, mas já sabemos que o comandante no topo da hierarquia militar, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, não é um entusiasta de uma intervenção bélica.

    Como sabemos? “Fontes”, falando a órgãos importantes, disseram que o general assumiu uma posição de cautela, dizendo que uma operação no Irã teria um alto risco de causar baixas entre os militares americanos e um efeito negativo nos estoques bélicos do país.

    Ora, a própria definição de operação militar implica baixas e diminuição do estoque de armas – senão, seria operação pacífica, ou sem ações cinéticas, como dizem no jargão.

    As “fontes” estão plantando a obviedade ululante para sabotar Trump? É possível. Como também é possível que generais de alta patente estejam também, preventivamente, salvando a própria reputação se alguma coisa der errado.

    ATITUDE HONROSA

    Como Trump é o comandante-chefe, na condição de presidente, os militares terão que fazer o que o líder civil do país mandar. Mas podem exercer o jus esperneandi. E o fazem, às vezes até antecipando a passagem para a reserva. Foi o que aconteceu em outubro passado com o almirante Alvin Holsey.

    Ele antecipou a aposentadoria depois de ficar somente um ano no topo do Comando Sul, responsável pelas operações na América Central e do Sul – como tal, devido ao dispositivo bélico sob sua direção, inclusive armamentos nucleares, ele poderia ser definido como o mais poderoso cidadão negro do mundo.

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    Na época, “fontes” disseram que ele discordava dos ataques a barcos usados no transporte de drogas por traficantes vindos da Venezuela. Não houve um conflito aberto – o Pentágono agradeceu pelos “37 anos de serviços prestados”, mas a tensão ficou evidente.

    O almirante tomou a atitude honrosa, embora sofrida: antecipou a reserva por discordar das ordens recebidas, mas não detonou Trump em público.

    O sucesso da captura fulminante de Nicolás Maduro acabou deixando para trás uma decisão impactante como a saída do almirante.

    CINTURÃO RADIOATIVO

    Todos os analistas concordam que a situação no Irã é infinitamente mais complexa, além dos vários indícios de que o regime teocrático já precificou um ataque americano, preferindo-o a um acordo sobre o programa nuclear bélico, pois acredita que haveria um grande racha se optasse pelo entendimento, provocando assim a própria queda.

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    Trump, obviamente, ficou fulo com os vazamentos do general Caine e disse que é tudo mentira.

    Divergências entre presidentes e os comandantes militares que lhes devem obediência não são nada incomuns – ao contrário, fazem parte de uma tensão natural entre entidades diferentes operando num regime democrático, e não em autocracias onde não podem existir discordâncias.

    A mais famosa delas aconteceu quando Harry Truman, humilde dono de uma loja de armarinhos quando começou a trabalhar, tendo-se tornado presidente na condição de vice do gigantesco Franklin Roosevelt, morto no cargo semanas antes do fim da II Guerra Mundial, demitiu o mais estrelado militar do país, o general Douglas MacArthur.

    Os dois divergiam sobre os rumos da Guerra da Coreia. MacArthur defendia que os Estados Unidos usassem a vantagem de ter as primeiras armas nucleares do mundo e bombardeassem a China, patrocinadora da rebelião comunista dos coreanos sob sua influência. O general queria criar um “cinturão radioativo” na fronteira da China com a Coreia, impedindo a passagem de homens e armas, uma ideia insana.

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    Começou a desafiar publicamente o presidente e acabou demitido, mesmo com toda a merecida aura de herói de guerra. Famosamente, Truman disse que havia demitido o general “não porque ele fosse um filho da ****, embora o seja, mas por desafiar a autoridade presidencial”. Capítulo encerrado.

    ATAQUE LIMITADO E CURTO’

    O general Caine está longe de se equiparar a MacArthur e um pedido de demissão num momento como esse seria inconcebível, embora Trump tenha expandido as fronteiras dessa palavra. O fato de que não se saiba o que pretende fazer é uma vantagem, do ponto de vista de manter o regime iraniano em estado de extrema ansiedade, mas também testa os nervos de assessores e aliados.

    O resultado é uma montanha de especulações. Vejam-se os termos usados pelo jornal Jerusalem Post: “Uma das últimas tendências, que fontes dizem ter sido discutida e está sendo amplamente vazada para a mídia, é a possibilidade de que Trump esteja buscando uma decisão intermediária, como um ataque limitado e curto contra a República Islâmica”.

    “Conceitualmente, a esperança de Trump seria causar estragos suficientes ao regime para melhorar os termos de um acordo diplomático”.

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    Tradução: ninguém sabe muita coisa, para não dizer nada.

    O chefe do Estado-Maior, conhecido como Raze Caine, começou a carreira militar como piloto de caça e depois passou para a área de operações especiais. Como todo comandante militar, ele sempre quer mais recursos, mesmo que as aeronaves, embarcações e tropas reunidas no teatro do Oriente Médio já sejam uma das maiores forças bélicas da história. Se isso tudo não for usado para conseguir um acordo diplomático bom ou uma intervenção aérea capaz de mudar os elementos em jogo, sairá desmoralizado, tal como Donald Trump.

    É um jogo alto, mas espera-se do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas que tenha tudo sob controle, inclusive o imponderável, uma das circunstâncias mais constantes em todas as guerras. Sair plantando reclamações na mídia não muda isso.

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