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Mundialista

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Tudo invertido: iranianos aplaudem ataques e mídia ocidental torce contra

Sem contar que Israel está protegendo vizinhos árabes e Líbano baniu Hezbollah, entre as reviravoltas espantosas produzidas pela guerra

Por Vilma Gryzinski 9 mar 2026, 06h48 •
  • As mudanças acontecem em velocidade vertiginosa e produzem resultados impensáveis há apenas dez dias. Quem observa a atitude furiosa da maioria da mídia dos Estados Unidos e da Europa pode achar que os Estados Unidos se meteram num desastre monumental e vão se dar muito mal no Irã. A realidade fática, como diz em juridiquês, indica algo muito diferente.

    A venerável BBC, por exemplo, faz uma cobertura extremamente crítica a Donald Trump. Mas também tem a saudável atitude jornalística de procurar ouvir iranianos – em sigilo, obviamente, pois todos temem um regime enfraquecido, mas com a capacidade repressiva intacta a ponto de continuar proibindo a internet. Disse um iraniano anônimo ouvido pela emissora: “Tentem achar algum outro país do mundo em que a população ficaria feliz com um ataque externo a seu país. Nós temos esperança de que o regime logo acabe. Estamos felizes”.

    Outro fato espantoso, mostrado com pouco destaque ou até ignorado: o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, embora tenha um poder real discutível, assumiu uma atitude ousada, para as circunstâncias atuais, e disse que o conselho interino aprovou a suspensão dos ataques de países vizinhos cujos territórios não sejam usados pelos americanos na Força Épica. Em outras palavras, assumiram indiretamente ter cometido um erro fundamental ao atacarem os vizinhos árabes até então em posição neutra.

    Crucialmente, acrescentou considerar “necessário pedir desculpas aos países vizinhos que foram atacados”. Ou ele está em colisão com os que defendem os ataques – um deputado disse até que os Emirados Árabes Unidos e Israel “são uma coisa só”- ou está se colocando como um interlocutor para negociar o fim da guerra. Ou, claro, ambos.

    Ter se visto na situação de recuar das declarações mostrou que o presidente está no fulcro de uma luta pelo poder sobre a qual pouco sabemos, mas não é difícil imaginar as diferentes linhas se enfrentando, com os radicais dispostos a qualquer loucura e os dialoguistas, digamos, abertos a eventuais negociações. Tudo isso com Teerã em chamas, depois do primeiro ataque de Israel e dos Estados Unidos contra a infraestrutura dos depósitos de petróleo, erguendo um mar de chamas em Teerã.

    ISRAEL PROTEGENDO ÁRABES

    Um dos resultados dos ataques contra os vizinhos, além de terem deixado apopléticos líderes de países do Golfo que poderiam até ter abertura para com o regime dos aiatolás, foi que aumentou a proximidade dos dirigentes árabes com os Estados Unidos. Mais ainda: aviões e sistemas de defesa de Israel estão participando da proteção a vizinhos árabes. É quase inimaginável – e tudo foi inteiramente produzido pela sandice estratégica do regime iraniano.

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    Em vez de países prejudicados que pressionariam os Estados Unidos a acabar com a guerra, o que está acontecendo é exatamente o oposto. Os pequenos emirados do Golfo e a Arábia Saudita, sem contar países mais distantes como o Azerbaijão, igualmente atacado, não querem ver o Irã se safar dos ataques contra instalações petrolíferas e alvos civis como hotéis, aeroportos e prédios residenciais. Nos Emirados, já morreram quatro civis e dois na Arábia Saudita.

    Escrevendo na Spectator, Jonathan Sacerdoti diz que a dinâmica atual “representa uma comprovação no mundo real da ideia estratégica buscada durante anos por Benjamin Netanyahu e Donald Trump através dos Acordos de Abraão. O conceito central era que a ameaça de segurança representada pelo regime iraniano gradualmente produziria uma maior cooperação entre Israel e Estados árabes. Os eventos da última semana mostram que essa lógica funciona na prática. Esses Estados árabes não se distanciaram de Israel. Os ataques da República Islâmica reforçaram seu alinhamento com Israel e os Estados Unidos”.

    Um Irã enfraquecido, com trinta embarcações no fundo do mar e zero aviões no ar, além de capacidade de lançamento de mísseis reduzida em 90%, cria até oportunidades também impensáveis, como a reação do governo libanês ao proibir atividades militares do Hezbollah – ou seja, na prática, banir a organização armada xiita – e caçar os vistos dos integrantes dos Guardiões da Revolução Islâmica, os iranianos que operam descaradamente no país.

    A MÚSICA MUDOU

    Note-se que, pela complicada divisão de poder no Líbano, o presidente é cristão e o primeiro-ministro, muçulmano sunita. Sucessivos ocupantes desses cargos cooperaram servilmente com o Hezbollah, apesar das disputas e até guerras do passado. Apoiaram ou não se opuseram às operações do Hezbollah contra Israel – com as consequentes retaliações que afetavam todos os libaneses, inclusive os que abominam a milícia xiita, arvorada em dona do Líbano.

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    A música mudou e só não ouve quem está focado em prognosticar que Trump e Netanyahu estão no caminho da própria destruição. A iniciativa do Hezbollah de atacar Israel, em apoio a seus patronos iranianos, deu o impulso final – certamente com uma enorme ajuda da pressão americana.

    As possibilidades no momento, apesar de todo o risco envolvido em fazer previsões, são as seguintes. Na hipótese pessimista, o regime iraniano não se decompõe, Estados Unidos e Israel acabam aceitando uma saída mais ou menos, o prestígio de ambos se deteriora, as forças que os execram e são sustentadas pelo Irã, como Hamas e Hezbollah, sobrevivem e intimidam os países árabes vizinhos. Estes recuam nas alianças que estavam sendo desenhadas.

    Na opção mais otimista, uma ala mais flexível do regime iraniano negocia um acordo nuclear sólido, a guerra termina, Estados Unidos e Israel saem prestigiados, os vizinhos árabes retomam as negociações para um grande acordo que endosse não só a coexistência, como a colaboração com Israel. O Hezbollah não ataca mais Israel, Israel não ataca mais alvos no Líbano. Resolvido.

    O SICÁRIO DE MOJTABA

    Existe ainda a alternativa mais otimista de todas, o regime iraniano cai, há uma transição democrática, a teocracia vira uma lembrança maligna, os iranianos assumem seu destino de liberdade e as forças do passado aceitam uma nova ordem, Israel se sente forte o suficiente para acatar algum tipo de acordo que acomode futuramente um Estado Palestino, os vizinhos árabes bancam a conta e tudo se encaminha para o melhor.

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    Não custa sonhar, numa espécie de vitória, mesmo que fugaz, da esperança sobre a experiência.

    Com Mojtaba Khamenei, o filho do aiatolá pulverizado, escolhido como novo líder supremo, tal como foi antecipado aqui, as probabilidades de uma saída negociada diminuem muito. Também diminuem as probabilidades de que ele continue vivo.

    Mojtaba assume o poder como parte envolvida. Além do pai, morreram nos bombardeios israelenses que deram início à guerra, a mãe, a mulher e o filho. Este havia sido gerado nos anos noventa, depois de um tratamento de infertilidade nos anos noventa em Londres, quando o clã de Mojtaba ocupou um andar inteiro de um hotel de luxo, o Sheraton de Park Lane, por um mês, ao preço de um milhão de dólares.

    Acompanhavam-no vinte seguranças, três empregadas para a mulher, duas empregadas para a sogra e uma figura sinistra, um sicário chamado Saeed Emami. Como vice-diretor do Ministério de Inteligência, ele coordenou, quando não agiu diretamente, na morte de numerosos intelectuais e outros dissidentes no exterior, entre 1988 e 1998. Suspeito de espionar para os Estados Unidos e Israel, foi preso em 1999 e se suicidou na cadeia.

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