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Mundialista

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Trump tem que ganhar e parecer que ganhou; se não, é desmoralização

E vitória hoje implica na mudança de regime, nem que seja em versão light, porque alternativa seria liderança maligna, obcecada por vingança

Por Vilma Gryzinski 23 mar 2026, 07h13 • Atualizado em 23 mar 2026, 07h15
  • A piada é inevitável: como Chuck Norris foi morrer justo agora, quando esperávamos que abrisse o Estreito de Ormuz no braço, derrotasse os aiatolás malvados, liberasse o povo iraniano e salvasse o mundo de uma crise do petróleo? Na vida real, Donald Trump, que era amigo do ator falecido, não é nenhum Chuck Norris e sua cinematográfica clareza moral: muda as traves do gol, cada hora dá uma versão sobre o que pode ser considerado vitória no Irã, reclama que só queria que os aliados da Otan \”jogassem umas bombinhas” para eliminar as minas de Ormuz, mas já que não querem, os Estados Unidos vão fazer tudo sozinhos.

    Os zigue-zagues de Trump não mudam o básico: ele tem que ganhar e parecer que ganhou porque apostou muito alto nessa campanha militar e não pode mais sair cantando vitória com resultados parciais. O jogo é de tudo ou nada. Falar em “desacelerar” a guerra agora é o caminho da desmoralização.

    O estilo literalmente bombástico do presidente é suscetível de críticas intensas, algumas justificadas, outras produto apenas da torcida para que tudo o que ele faz dê errado.

    Esta é uma atitude insana: se os Estados Unidos se derem mal no Irã, criarão um foco de instabilidade de enormes proporções, dando ânimo novo às forças do eixo do mal – Hezbollah, Hamas, hutis. Também deixarão intato um regime sedento de vingança e obcecado pela única forma de evitar novos ataques, a busca da bomba. Mesmo com a destruição de suas instalações para a produção de urânio enriquecido e outros componentes, sempre haverá atores mal-intencionados. O que impede a Coreia do Norte de fazer um bem-bolado com o Irã?

    Para os pequenos e ricos países do Golfo Pérsico, que contavam com os Estados Unidos para sua defesa (e com os quais os Estados Unidos contavam para um plano de normalização com Israel), será um desastre um regime iraniano ferido, mas em pé.

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    INVERSÃO DE PAPÉIS

    Como é possível que o poderoso império americano não derrote este inimigo? Como é possível que Israel opere livremente nos céus iranianos, mas continue recebendo mísseis, que no fim de semana deixaram mais de 300 feridos, o maior número dessa guerra? Ou que o Irã tenha conseguido um míssil de 4 mil quilômetros de alcance, com o qual atingiu a base de Diego Garcia, aparentemente sem que as melhores agências de inteligência do mundo, a CIA e o Mossad, soubessem?

    Primeiro, é preciso considerar o tamanho do país: equivalente ao do estado do Amazonas, uma imensidão de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, sem árvores e com montanhas. Segundo, a descentralização dos sistemas de mísseis e drones, desenvolvidos durante décadas. Terceiro, esta não é uma guerra total: é uma guerra aérea contra instalações militares e industriais, não contra a população. Um site do Golfo mostrou como um jornalista ocidental tentou tirar de uma mulher iraniana queixas contra bombardeios de civis. “Não, não, não, não. Só estão indo atrás deles e quando acabarem o xá vai voltar”, foi a surpreendente resposta.

    Note-se, a respeito, uma formidável inversão de papéis: a Al Jazira, emissora do Catar que se transformou na maior fonte de propaganda contra Israel, hoje mudou de posição e critica o Irã, enquanto jornalões ocidentais trucidam Trump e correspondentes fazem entrevistas subservientes com autoridades iranianas. O motivo é óbvio: os príncipes do Catar, donos do canal, estão furiosos com os ataques iranianos, enquanto a mídia americana e europeia trata Trump como o pior dos inimigos.

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    Se a guerra terminar com o regime intacto, obviamente haverá uma reaproximação entre os países do Golfo e o Irã. Os planos otimistas de normalização com Israel, reconstrução de Gaza e um eventual caminho para um Estado palestino estarão acabados. No plano mais amplo, os Estados Unidos perdem para a China uma jogada fundamental.

    OCIDENTE DESDENHA OCIDENTE

    A revista The Spectator disse em editorial que a guerra é travada com “homens empapados em sangue e comprometidos com o terror. Sua estratégia foi impor um custo alto a cada vizinho que apoie a ação contra eles e usar a perigosa geografia do Estreito de Ormuz para arrancar um preço alto do Ocidente. O regime espera que este preço seja um ônus pesado demais para um Ocidente que considera irremediavelmente decadente. Afinal, nossos políticos são limitados por ciclos eleitorais e eleitorados economicamente enfraquecidos e com pouca capacidade de atenção”.

    Quem ficaria contente com a desmoralização dos Estados Unidos?

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    Segundo alinhou a Spectator, \”A esquerda ‘pós-colonial’ e a direita etno-nacionalista, que impreca contra Israel, a influência judaica e a \’classe Epstein’ que nos arrastou para um desastre caro e contraprodutivo. São estas as forças da sociedade ocidental que desdenham da civilização ocidental em si – liberal, aberta, capitalista, criativa, judaico-cristã e confiante.”

    Entenderam por que um Chuck Norris é mais necessário do que nunca?

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