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Trump, às claras: ’Quando nós acabarmos, assumam seu governo’

Assim o presidente americano resumiu o objetivo do ataque desfechado nessa madrugada: mudar o regime do aiatolá Ali Khamenei

Por Vilma Gryzinski 28 fev 2026, 07h21 • Atualizado em 28 fev 2026, 07h23
  • Durante as últimas semanas, choveram especulações sobre o objetivo estratégico de Donald Trump com o ataque que se desenhava com a grande concentração de recursos bélicos no teatro de operações do Oriente Médio. Agora, por suas próprias palavras – “Quando nós acabarmos, assumam seu governo”-, está definido que o regime teocrático que tem como autoridade máxima o aiatolá Ali Khamenei tem que cair e ser substituído por alguma entidade ainda inexistente, visto que os iranianos que no começo do mês saíram às ruas em massa para clamar por “morte ao ditador” não estão organizados em partidos capazes de se impor como alternativa de governo.

    É a opção mais arriscada de todas – e, tal como na Venezuela, também sem precedentes. Mudar um regime profundamente entranhado apenas com operações aéreas, sem tropas avançando por terra, como aconteceu no Iraque quando Saddam Hussein foi derrubado.

    Trump, obviamente, quer o melhor dos mundos, ou o menos pior: acabar com o regime mais antiamericano do mundo, com a possível exceção da Coreia do Norte (que, note-se, nunca sequestrou cidadãos americanos nem bradou “Morte à América”), sem precisar colocar diretamente a mão na massa, ou seja, desfechar um ataque terrestre, com suas inevitáveis baixas entre tropas invasoras e população civil.

    A opinião prevalecente entre analistas é de que é muito difícil – mesmo descontando-se a torcida contra dos comentaristas que querem ver dar tudo errado.

    Mas é preciso admitir que Trump não deixou margens à ambiguidade, usando termos raramente vistos na história dos conflitos:

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    “Aos membros da Guarda da Revolução Islâmica, das Forças Armadas e de todas as polícias, digo esta noite que você precisam depor armas e terão completa imunidade, a alternativa é enfrentar a morte garantida”.

    “Deponham armas. Serão tratados de forma justa e com total imunidade, ou enfrentarão a certeza da morte”.

    “Ao grande e orgulhoso povo do Irã, digo esta noite que a hora de sua liberdade está a seu alcance. Continuem abrigados. Não deixem suas casas. É muito perigoso lá fora. Estão caindo bombas em toda parte”.

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    “Quando acabarmos, assumam o regime. Será sua chance. Provavelmente será a única em gerações”.

    São palavras que implicam em enormes riscos e responsabilidades. Se os iranianos comuns, desarmados, enfrentarem uma repressão que continua brutal, mesmo debaixo de bombas, o que fará Trump?

    Por quanto tempo durarão os bombardeiros enquanto isso não acontece?

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    E se houver um número de vítimas inaceitável entre a população civil de Israel?

    E se o conflito se expandir para o Líbano do Hezbollah, o Iraque das milícias xiitas e o Iêmen dos hutis?

    O número de “e ses” é enorme, mas pelo menos agora sabemos o que Trump quer. Aos 87 anos, o aiatolá Ali Khamenei terá que deixar o cenário que domina há décadas e levar junto seu bando de fanáticos.

    Nunca foram tão altas as apostas no Irã.

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