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Primeiro-ministro britânico pode cair e substituta vem da esquerda radical

A maldição de Epstein torna precária a posição de Keir Starmer e inimigos internos tramam para que seja substituído por Angela Rayner

Por Vilma Gryzinski 9 fev 2026, 07h19 • Atualizado em 9 fev 2026, 07h20
  • Por que o primeiro-ministro Keir Starmer, conhecido por ser prudente ao ponto de tedioso, com carisma zero, nomeou Peter Mandelson para ser embaixador nos Estados Unidos quando já sabia de seu envolvimento com Jeffrey Epstein? Esta é a pergunta que todos se fazem no reino britânico, inclusive aliados de seu próprio Partido Trabalhista que tramam para convocar uma eleição interna e votar numa nova líder, Angela Rayner, que pelas regras do sistema parlamentarista se tornaria primeira-ministra.

    Sentindo seu mundo cair, Starmer rifou o chefe de gabinete e principal assessor, Morgan McSweeney – e em pleno domingo, um sinal de que a crise é brava e a possibilidade de reviravolta interna parece bem possível e vários parlamentares do partido estão falando exatamente isso: se o chefe de gabinete caiu por ter bancado a nomeação de Mandelson como embaixador, o primeiro-ministro, que a endossou, é o responsável final e também deve rodar.

    Seria a mais espantosa guinada produzida pelo escândalo que nunca acaba, envolvendo o milionário americano abusador, que se suicidou na cadeia em 2019, e sua teia de contatos nas esferas do poder em múltiplos países.

    A derrocada vergonhosa do ex-príncipe Andrew, que perdeu todos os títulos e honrarias, não chega perto: o pomposo Andrew tinha muita pose, como filho de rainha e irmão de rei, mas nenhum poder de verdade. Aliás, vivia na esfera criada por Epstein para tirar vantagens materiais, como as contas de sua ex-mulher Sarah, pagas pelo americano, além das garotas bonitas colocadas à sua disposição.

    ERRO INEXPLICÁVEL

    A queda de Keir Starmer colocaria o escândalo em outro patamar. O curioso é a estrutura indireta. Todos os afetados até agora desfrutavam da intimidade de Epstein e do ambiente de sexo e poder que ele propiciada. Starmer nem conhecia o milionário.

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    Seu erro inexplicável foi colocar Peter Mandelson, um astuto operador político, para ocupar o cargo mais importante da diplomacia de qualquer país, o de embaixador em Washington.

    McSweeney, o chefe de gabinete rifado, defendeu a nomeação, mas Starmer é um ex-promotor público, profissionalmente capacitado a detectar mentiras, armadilhas e potenciais atitudes criminosas. É incompreensível que não tenha visto os problemas que Mandelson trazia para o governo, nem que fosse, dane-se a ética, estritamente do ponto de vista político.

    Logo depois da posse do então lorde na embaixada em Washington, começaram a ser divulgados os milhões de arquivos com emails e fotos de Epstein e seus “amigos”. Desmoronou assim a desculpa de Mandelson: a de que era gay, não via nada de estranho no entorno de dezenas de adolescentes de Epstein e “não tinha registro nem lembrança” – o clássico dos mentirosos bem orientados por advogados – das quantias transferidas que aparecem em emails, inclusive 10 mil libras para um curso de osteopatia solicitado diretamente a Epstein pelo marido de Mandelson, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva.

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    FALTA DE PADRÕES MORAIS

    O caso agora envolve bem mais do que uma amizade desprezível: as duas casas de Mandelson foram alvo de buscas pela polícia, no bojo de investigações sobre informações sigilosas dadas pelo político britânico a Epstein quando ocupava cargos importantes no ministério de governos trabalhistas. O escândalo de falta de padrões morais por manter amizade próxima com um abusador de menores se tornou assim, um caso de polícia, com implicações muito maiores.

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